segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Hora de comer os livros...


“Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? Assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço. Além do quê: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.”


(Clarice Lispector, sempre.)

domingo, 30 de dezembro de 2007

Aos leitores...

(ilustração: Pablo Gamba)


Esse blog nasceu em agosto de 2007, sem a mínima pretensão de ter um mínimo de leitores. Achava que as minhas diversas faces (ou alter-egos,quem sabe...) iriam formar platéia suficiente para escritos manuscritos,mal-escritos,rabiscos. Qual não foi minha surpresa ao me deparar com leitores, logo nos primeiros posts, alguns que eu sequer conhecia.É por isso que eu gosto tanto da vida. Ela, sorrateiramente,acontece no inesperado. Nas coincidências pra-lá de premeditadas. A música do Skank "Mil Acasos" bem que poderia ser o hino deste ano. Acasos que acontecem o tempo todo, e talvez visto lá de cima, formam uma bela engrenagem em que tudo faz sentido.


Em um destes acasos, fiz este blog e percebi o quanto escrever é algo que me seduz. Não achava,entretanto, que ninguém fosse gostar, até porque minhas palavras são fáceis demais, e o que eu escrevo talvez seja muito batido. Mas,como eu já falei, a vida nos surpreende e lia nos comentários coisas que jamais tencionei ler, ver frases minhas nos orkuts, textos meus passados por e-mail. Eu,tão acostumada a usar as palavras como forma de expressão, não encontro nenhuma para descrever a felicidade inebriante de ver tais coisas acontecendo comigo. Ouvir Dra.Karina dizer que meus textos poderiam ser publicados como livro e receber e-mail de editoras é algo muito além do que um dia sonhei. Não tenciono publicar nada agora, até porque, sinceramente, acho que Olavo Bilac tinha razão em empreender um grande esforço na feitura de um poema, quiçá de um livro! Pretendo qualificar minhas palavras, meu português, a maneira como descrever perfeitamente tudo o que imperfeitamente me vêm à cabeça.


Por isso, neste último post do ano, gostaria de agradecer, de todo o coração a todos os leitores deste blog. Com certeza, mesmo sem perceber, vocês me fizeram acreditar mais em mim, sabendo que, se minhas palavras ajudaram você em determinado momento, certamente é porque Deus me usou para chegar até aí, e servir de ponte é um dos propósitos mais nobres que uma pessoa pode ter. Que cada um de nós possamos ser pontes uns dos outros, fazendo com que deixemos uma marca positiva em cada um que passa na nossa vida (como diria a Madre Teresa,não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz). Deus precisou me dar um estalo numa noite tediosa de agosto, para que eu escrevesse algo que mostrasse a alguém o quanto as coisas poderiam ser diferentes. Por isso admiro a engrenagem lá de cima, e acredito muito que qualquer coisa que nos aconteça, mesmo que pareça ruim à primeira vista, visto lá do alto, faz sentido.


Que você possa, em 2008, ver além, olhar como se fosse espectador, e não desanimar tão cedo. Os melhores filmes são aqueles em que misturam-se cenas de todos os tipos, permeadas de sentimentos, e que no fim, nos acrescenta tanto que passamos alguns dias inebriados com a história. Acho que a nossa vida é um filme, e só nos resta viver todas as cenas de acordo com o script escrito pelo "Diretor", que certamente, nos fez para ganharmos o Oscar! :)


sábado, 29 de dezembro de 2007

"É preciso amar o inútil. Criar pombos sem pensar em comê-los,plantar roseiras sem pensar em colher rosas,escrever sem pensar em publicar,fazer coisas assim, sem esperar nada em troca. A distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta, mas é nos caminhos curvos que se encontram as melhores coisas. A música ... Este céu que nem promete chuva ... Aquela estrelinha que está nascendo ali... está vendo aquela estrelinha? Há milênios não tem feito nada, não guiou os Reis Magos, nem os pastores, nem os marinheiros perdidos...Não faz nada.Apenas brilha. Ninguém repara nela porque é uma estrela inútil. Pois é preciso amar o inútil porque no inútil está a Beleza.No inútil também está Deus."


(Lygia Fagundes Telles)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

"Nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos livres..."


O fim-do-ano é uma época em que eu sempre fico meio deprimida. Isso não é incomum, e mesmo que o ano tenha sido bom (ou ótimo), essa sensação teima em aparecer. É como se pudéssemos enfim, parar e ter certeza que o tempo está passando e levando nossa vida aos poucos. A mãe de Jamil faleceu na noite de Natal. Meu sobrinho vai nascer no ano novo. Contrários. Partidas,Chegadas. Fim e Começo. Recomeço. Para desanuviar esses sentimentos de finitude, só mesmo a esperança em dias melhores. Vovó diz que os "Freitas" não esmorecem, sempre recomeçam mesmo diante das grandes quedas. Minha avó é uma mulher forte. Gostaria de ter toda essa fortaleza em mim, principalmente nessa época, mas às vezes é difícil.


Antes que eu jogasse a toalha,porém, Deus me mandou uma gatinha (isso mesmo,uma gata!) persa, branca como a nuvem e linda como são todos os filhotes. Eduardo,amigo de Daniel, me deu a filha de Baruc e Bellinha, a mais sapeca de todas.Ela chegou ontem aqui em casa.Logo eu, que não suportava gatos, me apaixonei por uma(A vida e suas surpresas...).De repente, me pego preocupada com a direção que Sofia toma, se ela vai se machucar, se ela está feliz, se já se alimentou. Mas o destino dela, infelizmente, não há como eu escolher. O máximo que posso fazer é ensiná-la os caminhos certos e preveni-la de que as tomadas são perigosas.


Quando ela vai pro banheirinho dela depois que eu ensinei, me sinto recompensada. O bom é que mesmo quando ela erra, eu sorrio, compassivamente. Sei que um dia ela aprende.


Deve ser assim que Deus age conosco. Chegamos com um propósito (no caso de Sofia, ela veio pra alegrar meu fim-de-ano) e vamos descobrindo a vida aos poucos. Deus nos ama mesmo quando erramos o caminho. E nos recebe de braços abertos quando voltamos machucados ou em estado de choque pelas estradas erradas em que andamos. O bom disso tudo é que o amor de Deus por cada um de nós é muito maior que o meu por Sofia. E se eu já me alegro quando ela brinca com o barbante, esquecendo da dor de ter se separado da mãe, imagine o que Deus sente quando nos sentimos esperançosos em dias melhores...mesmo diante do fim. Do ano.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007


Voltaire uma vez falou que a primeira lei da natureza seria perdoar reciprocamente nossas tolices, já que, como seres humanos , estamos sempre empedernidos de debilidade e erros. Seria bom se assim fosse, mas o fato é que, além de não perdoar diferenças, não sabemos conviver com elas. O ato de conviver por si só já é difícil, porque implica em termos que exercitar virtudes não tão comuns, como a paciência e o respeito. Mais do que isso, escutar o outro e desvendá-lo pelo indizível não é tarefa fácil para quem não possui interesse em perceber as belezas indevassáveis de cada um.
O que- sinceramente- sei é que para quem está "no alvo", é quase uma súplica interior que cada julgador implacável do outro lado saiba que não pode tomar o lugar de Deus na hora do julgamento. O que quero dizer com isso é que, ao se formar uma opinião sobre alguém, qualquer que seja, devemos incluir na conta o que não sabemos sobre elas. E talvez, depois dessa soma, não haja resultado a ser comprovado. Porque as pessoas não "devem" ser, elas simplesmente são.
A música do Titãs fala da dor que cada um traz no coração, e eu adicionaria à letra tudo o que ronda esta parte que, metaforicamente, detém todas as emoções do mundo em um só lugar. Meu pai sempre diz que "coração é terra que ninguém anda" e essa frase carrega em si todo o peso da falibilidade que qualquer julgamento apressado pode conter. Não raras as vezes a imagem que alguém transmite de si é totalmente diversa daquilo que realmente é.Ninguém sabe do outro, sequer de si próprio, a não ser do que se sente, pela inevitabilidade do sentir. Assim como as palavras deste texto nem sempre se mostram fiéis à intenção do que pretendo expressar, as pessoas em sua gênese, encontram-se nas entrelinhas, naquele espaço abstrato que ninguém é capaz de alcançar.
Portanto, sejamos mais amenos nas opiniões formadas sobre todos (parafraseando o mestre Raulzito) que despejamos por aí. Cada um sabe quem escolhe para conviver, mas a ninguém é dado o direito de ensinar como viver. Até porque ninguém sabe mesmo...

"Teu coração baterá com força, sem que ninguém escute."





(Caio Fernando de Abreu)

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

(Foto: Larissa M.Diniz)

Em uma cidadezinha do interior chamada "Pasárgada", havia muitos pássaros. Dentre eles, o Gabo, um pardal que adorava livros. Vivia lendo, escrevendo e tinha fama de intelectual na cidade. Quase não tinha amigos, já que era muito caseiro e sossegado, vivendo sempre na sua Jabuticabeira, em um bairro nobre da Pasárgada. O Dr. João-de-Barro era o prefeito da cidade e detestava ser chamado apenas de Seu João. Mas todo mundo só chamava "Seu João".

Seu João, depois de ter sobrevoado Brasília em um encontro de políticos, e ter visto árvores lindas e organizadas estrategicamente, resolveu fazer reformas na cidade assim que chegou. Trouxe a Águia Niemeyer -arquiteta famosíssima pela visão ampla de espaço-, e começou a implementar as reformas. E nesse interím, a Jabuticabeira do Gabo foi incluída como área a ser desapropriada. O projeto era transformá-la em uma grande praça, com imensa área de lazer, incluindo o 'autopiste', importado dos EUA, em que os pássaros, mediante singela contribuição, comeriam alpiste à vontade,diminuindo os problemas sociais do lugar e gerando uma sensível distribuição de renda entre a população.

Gabo beirou a loucura. Mesmo com a indenização, a Jabuticabeira era seu lugar sagrado! Era sua casa, desde que sua mãe faleceu e seus irmãos voaram para terras distantes. Mesmo assim, as reformas continuaram. Depois de ter passado várias noites na boemia, Gabo estava na sarjeta. Desiludido,não achava mais razão em continuar vivendo. Eis que, sentado na calçada, pensando em se jogar no rio, o pardalzinho escuta o Rouxinol cantar.

Mesmo de longe, a música invadiu seu espírito. Algo reacendia dentro dele, como um sopro divino que o fazia acreditar no poder de suas asas. Levantou-se. Devagarinho, abriu suas asas e tentou voar. Desacostumado, caiu várias vezes. Mas o vento ajuda quem tenta voar, e Gabo alçoou vôo. Voou a noite inteira, vendo paisagens nunca antes imaginadas! Tudo era tão maior, tão bonito que,sentindo-se inspirado, teve coragem de visitar sua antiga casa novamente. Não sentiu saudades, apenas a certeza de que havia nascido para o Céu.

Escreveu uns versos, tomados de inspiração:


Rouxinol tomou conta do meu viver

Chegou quando procurei

Razão pra poder seguir

Quando a música ia e quase eu fiquei

Quando a vida chorava mais que eu gritei

Pássaro deu a volta ao mundo brincava

Rouxinol me ensinou que é só não temer

Cantou se hospedou em mim

Todos os pássaros, anjos dentro de nós


De repente, chega Clarice, uma pardalzinha também sem rumo, encantada com os versos de Gabo.E naquele momento, não havia mais nenhuma lágrima. Só a poesia.


p.s: A música de Gabo é interpretada, para nós humanos, por Milton Nascimento.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

"Minha herança,uma flor"

Um dia, o "Jardineiro Fiel", aquele que cuida do imenso jardim da vida, olhava para algumas de suas plantas e percebeu que alguns vasos estavam rachados. Nestes vasos, havia espécies muito diferentes convivendo juntas, e cresceram tanto que não cabiam mais no mesmo espaço. Quando começaram a murchar, o jardineiro viu que precisava tirá-las de lá, porque já eram grandes demais para um vaso tão pequeno. Isso aconteceu com três vasos do jardim.



Então, o jovem jardineiro pensou na estratégia de deixar apenas uma das espécies naqueles vasos menores, e transferiu as outras, mais delicadas e raras, para um grande vaso.


Podou cada uma delas e deixou apenas as sementes das três convivendo no mesmo espaço. Dizia que a semente continha o essencial, o mais importante para que cada uma delas pudesse se desenvolver. Assim, as três sementes estavam no mesmo espaço,embora não entendessem por quê. Cada uma não se conformava por ter sido retirada dos respectivos vasos.

"-O meu vaso era meuuuu, eu que tinha de estar lá!", dizia uma.

"-Agora só quero mostrar para aquele vaso caquético que brevemente estarei em um de porcelana, muito melhor...", bradava outra.

"-Eu era muito simplória para um vaso tão perfeito..." , chorava a outra.


Passaram alguns meses falando de suas histórias. Não notavam que, a cada dia, cresciam.


A terra era fértil e o jardineiro assegurava a força do cultivo. Adubava, regava somente de vez em quando, para que elas percebessem que, para sobreviver nas horas mais secas do dia,elas precisavam encontrar a força acumulada no interior de cada uma. Quando começaram a crescer, viram que suas semelhanças ajudavam a conquistar suas diferenças. Cada uma podia se desenvolver conforme o sol, para um lado ou outro já que a terra favorecia a individualidade, ao mesmo tempo em que abrigava suas fragilidades, como uma estufa que acolhe as espécies nas horas de frio.


Após quase um ano, as três espécies se desenvolveram tanto que não cabem mais no mesmo vaso. Tristes, percebem a hora de se despedir.O Jardineiro já sinaliza as mudanças e prepara um novo vaso, maior, para cada uma de suas espécies raras. Em cada um deles, pôs o adubo do amor, a água da esperança, a consistência da fé. Arrumou cada um em uma prateleira ampla, mais alta, sobre a qual é possível enxergar as demais espécies de longe, como partes de um jardim que se completa.

No último dia em que estavam no mesmo vaso, perceberam no que haviam se transformado. Depois de sair de vasos partidos e entristecidos, podaram as dores e mágoas, fortalecidas pelas raízes da amizade, regadas com paciência e amor pelo jardineiro, descobriam-se lindas flores... uma era um lírio rosa, outra um girassol, outra uma orquídea.

O plantio chegou ao fim, e agora, abre-se o tempo da primavera, em que certamente essas pequenas flores desabrocharão... em todo seu esplendor.



p.s:Agradecimento especial a Luana Girassol e Mª Virgínia Orquídea, pelo vaso compartilhado na Esma e pelas raízes permanentes da nossa amizade.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Espelho,espelho meu...

Devia ter estudado Processo Civil a tarde inteira, mas confesso que não resisti e assisti todo o julgamento da ação penal contra Ronaldo Cunha Lima, no STF. Comecei a ver os votos dos ministros, se estes iriam (des)considerar a ardilosa manobra que o ex-deputado fez, a fim de evitar seu julgamento pelo Min. Joaquim Barbosa, que certamente o condenaria. Antes que me acusem de maranhista,ou cassista ou qualquer outro jargão do tipo, confesso que não tenho predileções por nenhuma das partes. Nenhum paga minhas contas e por isso mesmo, posso ser imparcial. Aliás, posso ser parcial, mas do lado certo. Mas como saber o lado certo sendo parcial? Dialéticas à parte, voltemos ao assunto.


O que vi, além de algumas boas argumentações jurídicas, sobretudo, do ministro Carlos Ayres Britto( enquanto o que eu mais gostava, Celso de Mello, me decepcionou com seu dogmatismo enfadonho...), foi um verdadeiro desfile de vaidades. O ministro Joaquim Barbosa, com o devido respeito (ou venia, no jargão jurídico), colocou-se em um pedestal de moralidade que beirava muitas vezes a demagogia. Eu estava inteiramente a favor do julgamento ser mantido no STF, para não abrir precedentes para os mensaleiros de plantão,mas arrogância não ganha disputa, e o ministro pecou nesse quesito. De outro lado, a vaidade do outro Ministro, Gilmar Mendes, era de enojar qualquer um. É impressionante como o poder embriaga, corrompe, infla o ego dos pobres mortais (pois é, eles são pobres mortais, quem diria...).


Nem precisamos ir longe para perceber que a vaidade está em todos os lugares, em seus mais variados aspectos. O Brasil tornou-se um país vaidoso demais. O presidente, os ministros, os partidos, todos com suas grandes vaidades, até determinados guardas de trânsito, policiais, serventuários da justiça...estes sofrem do que eu chamo de síndrome da pequena autoridade, que os fazem se sentir muito além de nós, pobre cidadãos, que temos que agradar muito,sorrir a todo instante e ter paciência de Jó,a fim de receber um atendimento condizente com o que a lei diz ser obrigação do servidor público.

Também no tema de outras vaidades, o Brasil é campeão. A população torna-se cada vez mais sedenta por um corpo, rosto, alma perfeitos, a lotar as academias, os salões de beleza, as clínicas de cirurgia plástica. E claro que me incluo neste rol, apesar de lutar contra todas estas futilidades que às vezes me seduzem. É difícil viver aqui sem se sentir mal por estar acima do peso, mesmo que seja por 2kg a mais. Mais difícil ainda quando se tratam de 20, 30 kg a mais.Como dizia o Eclesiástico,“tudo é vaidade" e nada permanece. Por isso, luto para que em mim só sobre o essencial. Ainda que com 2 kg a menos...

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Ciências Exatas


Hoje eu conversava com Luana sobre a não-necessidade de exatidão nas coisas pelas quais passamos. Por que essa história de sempre entender, explicar, esmiuçar, e todos os verbos que mais confundem do que explicam? Como dizia a Clarice Lispector, não devemos nos preocupar em entender porque viver ultrapassa todo e qualquer entendimento. Do mesmo modo uma das comunidades que participo no orkut anuncia:"eu não sei, eu sinto". A partir dessa descoberta, creio que ficamos mais livres para sugar cada néctar que a vida oferece. Não se preocupar tanto com o futuro e com o caminho das coisas, porque no fim, sempre vem algo melhor mesmo.


A gente conversava do quanto já erramos e do quanto tais erros serviram para que vislumbrássemos as coisas por outro ângulo. Pena que muitos ainda precisam quebrar a cara, porque o erro dos outros já não lhes serve de alerta. Eu falava de relacionamentos no outro post e uma amiga minha me disse que aquelas palavras lhe aliviaram, já que estava em meio a uma crise em que ela cobrava sempre mais e mais do namorado, para que ele se tornasse noivo. Essa situação não é incomum, muito pelo contrário. Nós,mulheres, sempre buscamos compromisso, muito mais até que o próprio sentimento. Só depois de duras penas é que aprendemos que o sentimento já traz consigo o compromisso, mesmo que este não seja revestido por uma auréola de ouro. Se existe satisfação no relacionamento,e a conseqüente felicidade(e esta faz toda a diferença), não há necessidade de se exigir nada. Se para ambos-e só nessa situação recíproca- é bom, naturalmente surge o desejo de que aquela circunstância seja perpetuada. Acredito que é assim que surgem os pedidos de casamento e os assemelhados,hehe. Como eu ainda não vivi essa fase, só posso falar da cobrança, grande inimiga das mulheres, que, ardilosa, se disfarça da necessidade de estabilidade.É como passar num concurso (me desculpem se minha neurose chega até aqui) : nem sempre queremos aquele cargo, que não é lá grandes coisas, mas o que interessa é a segurança, a estabilidade que ele proporciona. Do mesmo jeito é com nossa classe feminina, que tantas vezes ouço falar: 'casei porque foi o jeito'. Quanta resignação.


Deus é mesmo muito camarada com quem se dispõe a lutar para ser feliz. Lutar sim, porque ser feliz dá trabalho. Você tem que engolir um sapo e matar um leão por dia( metáforas zoológicas...) para atingir um estado de ânimo que lhe permita acreditar em dias melhores. Hoje o mundo tem um modelo de felicidade que simplesmente é insustentável. Como ter sucesso em todas as áreas, não ser deprimido ( e se isso lhe acontecer, engula um prozac), ser belo, atraente, bem-sucedido, ter casa, comida e roupa lavada,além de uma gorda conta bancária? Sem um desses itens, você é um fracasso.


Além de tudo isso,para nós mulheres, temos sempre que sonhar com um casamento dos sonhos. Se você não namora, surge a famosa frase " Não entendo como Fulana, tão bonita, não 'arranja' um namorado". Se vc namora, vem esta aqui "E aí? O que ele faz? (tudo para especular se há chances de casamento à vista...)" e se o tempo do namoro for se estendendo, nem se fala! ("Ainda não noivaram?"). E se noivar então...melhor parar por aqui. Não digo que toda essa gradação não é boa,ou divina. Já vi muitos casais que deram certo e exemplos estão aí aos montes. Mas, em todos eles, ninguém forçou nada, desde o início. Acho que é esse o segredo. Deixar que o tempo(ou Deus, ou a Vida, ou o Futuro ou qualquer outro sinônimo) se encarregue de pôr as coisas em seus devidos lugares. Acredito que, no fim das contas, a gente acaba vendo o que Exupèrry sempre diz, que "O essencial é invisível aos olhos"...


Para um relacionamento-ou a vida- dar certo, é preciso muita disposição e coragem, sobretudo para entender que certas coisas simplesmente não são exatas, muito menos quando se trata de pessoas, falíveis por serem humanas.Vou parar por aqui, porque esse post foi maior que o meu sono e esse poema de Pena Filho sintetiza isso tudo que falei, mil vezes melhor:


"Quando mais nada resistir que valha a pena de viver e a dor de amar e quando mais nada interessar (...) lembra-te que te resta a vida com tudo que é insolvente e provisório e de que ainda tens uma saída: entrar no acaso e amar o transitório."

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Eu acredito piamente que Deus se faz presente no presente. E Ele coloca situações, circunstâncias, e principalmente pessoas que aparecem na sua vida para te mostrar o que você teima em não ver. Passei muito tempo apegada às coisas,às pessoas, ao meu pequeno mundo e seus pequenos mistérios. Depois de penar muito, acabei percebendo que o horizonte poderia ser muito mais largo, e que a vida está aí, oferecendo-se para ser sorvida em goles, "descendo redondo" ou não.

Nos meus relacionamentos, a evolução tem sido cada vez maior. Não, não falo da evolução de namoro, noivado e casamento (porque o 4º estágio nem sempre se chama felicidade eterna) , falo da evolução real, que é aquela em que você percebe que quem está do seu lado, só está do seu lado. E essa pessoa carrega sua própria história, seus sonhos, seus desejos, seus amores e suas dores. Pode até parecer que sua "cara-metade" só pensa em você o dia inteiro, morre de amores e não vê a hora de viver o resto dos dias ao seu lado. Seria bom se fosse assim, mas não é. Na maioria das vezes, a gente lembra de quem gosta nas situações mais cotidianas, como a Dido canta, em "Thank You":

The morning rain clouds up my window,
And I can't see at all
And even if I could it'd all be grey
But your picture on my wall
It reminds me that it's not so bad
It's not so bad


Eu percebi, como toda mulher um dia há de perceber, que não adianta tentar abduzir o sujeito para seu mundo ou migrar para o dele, quiçá transformá-lo na imagem de príncipe encantado. Também isso estende-se aos homens, que sonham com uma mulher inteligente,linda,gostosa, sexy, bem-sucedida, segura de si, sem crises de histeria, ciúmes (ou qualquer outro adjetivo próprio do nosso sexo) ,amorosa, carinhosa e que esteja sempre disponível a acalentá-lo nas horas difíceis - no filme "Mulheres Perfeitas" esse sonho masculino só pode ser concretizado com um controle remoto, já que "mulher perfeita" só existe no modelo robô - .


No fim, nada disso se sustenta.



Por isso, o melhor mesmo é aproveitar a mão que segura a sua, sem que seja preciso falar muito (basta falar, hehe).Não se faz necessário ter sempre uma fórmula mágica para relacionamentos serem construídos. Basta a cumplicidade mesmo, de um botar o lixo fora enquanto o outro lava os pratos. No meio disso, o importante é cultivar o carinho, dedicar os melhores beijos, tentar ser uma mão (e não mãe) a segurar a barra junto com o outro nas horas difíceis. Não precisa de muito romance, basta ter o bem-querer. Este, não pode faltar.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Como vou viajar logo logo e não vou postar quinta porque estarei comemorando meus 24 anos com um dia inteirinho pra mim, vou registrar aqui como é bom chegar no dia 22 de novembro com tanta coisa pra agradecer a Deus.Ele, que sempre me presentou ao longo dessa minha vida, nestes últimos anos me ensinou tanto, trouxe tanta revelação nos pequenos fatos do cotidiano que só me resta olhar pra cima e cantar: "Valeu a pena, valeu a pena..."

Como diria a canção do Renato Teixeira e do Almir Sater,


"hoje me sinto mais forte,
mais feliz quem sabe,
só levo a certeza de que muito pouco eu sei...e nada sei".

Percebi que a vida é uma sucessão de oportunidades únicas, tal como um rio que passa e vai levando coisas que já não servem mais, assim como molha o solo árido para que outras espécies floresçam no caminho. Às vezes, o rio esquenta tanto que evapora, condensa, vira tempestade, outras vezes a vida é tão intensa que desemboca ali na frente, com toda sua força, como uma cachoeira. É bonito quando se percebe o rio contornar novos caminhos, ou mesmo inaugurar outros rumos, indo sempre em frente. Admirável ainda é quando ele condensa de um jeito diferente, mais calmo e maduro, e se transforma naquela chuva bonita de fim-de-tarde, que esconde sempre um arco-íris no fundo. Melhor mesmo é achar o pote de ouro no fim do arco-íris, e perceber que ele sempre esteve ali, esperando para ser encontrado.



A vida parece que nos mostra o tempo todo o caminho pelo qual devemos percorrer para achar o nosso tesouro e eu diria que, depois de 24 anos, achei o meu, em um insight. Quando o descobri, vi que meu pote já era precioso, composto de várias moedinhas douradas, que foram-se juntando ao longo da minha vida. Umas são de ouro, outras, não passavam de bijouterias, mas todas elas fizeram com que meu tesouro se tornasse cada vez mais valioso. Foi a Bíblia que me mostrou isso, ao falar que...


"Onde está seu coração, aí está o seu tesouro."


Obrigada a todas as "moedas" da minha vida...Obrigada, de verdade.

p.s:Tô me sentindo como o Tio Patinhas, dando aquele mergulho de agradecimento... ;)

sábado, 17 de novembro de 2007

Meu pai sempre ensinou a odiar mentiras e mentirosos. Eu achei bonito e passei a adotar essa filosofia. Mentir, jamais. Besteira.Todo mundo mente, de uma maneira ou de outra,afinal. Mas, por trás de todas as mentiras, há sempre a verdade, o que faz com que toda mentira seja verdade, pelo menos, por trás das palavras. Afinal, às vezes se diz o que se gostaria de ser dito, ou o que devia ter sido. Acho que há algo que se tem medo de falar e por isso, se mente. Por isso é bom ouvir. Sempre. Sem tantos "afirmativos categóricos" e verdades absolutas. Acho que assim, afasta-se o medo e abre-se espaço pra verdade,tal como ela é. No fim, melhor mesmo é ser humano e reconhecer nossos limites.


Todos tem seu encanto: os santos e os corruptos.
Não há coisa na vida inteiramente má.
Tu dizes que a verdade produz frutos...
Já vistes as flores que a mentira dá?


(Mário Quintana)


p.s: A foto não tem nada a ver com a postagem, é só porque achei lindo o Johnny(Gabriel Match), do filme "Minha mãe quer que eu case" ('Because I Said So') . Por não corresponder ao conteúdo,talvez a imagem revele bem o sentido do post. =)

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

I can´t find the words to say...

Vou explicar só uma coisa: quando uma mulher está de tpm, saia de perto. Isso é sério.
Quando eu estou assim, parece que eu acordo já parecendo uma "boêmia" em fim de festa, achando tudo um lixo, inclusive eu mesma. Isso acontece de vez em quando, porque em outras vezes, haja choro, em outras, haja chocolate e todas as comidas do mundo (ao mesmo tempo, claro).Parece que o mundo todo está errado, e claro que a gente tem que reclamar de tudo, e chorar se ninguém conserta as coisas.Eu sei que pode parecer drama, mas quem é mulher sabe do que eu tô falando.
Pelo menos , música existe.


"
Damn my situation and the games I have to play
With all the things caught in my mind
Damn my education , I can't find the words to say
About the things caught in my mind

So don't go away
Say what you say
But say that you'll stay
Forever and a day... in the time of my life
Cause i need more time, yes
I need more time
Just to make things right


Me and you what's going on?
All we seem to know is how to show
The feelings that are wrong"


Quem quiser ouvir:
http://www.mp3tube.net/musics/Oasis-Dont-Go-Away/31691/

domingo, 4 de novembro de 2007

Hoje foi um domingo de luz. Não só pelo sol maravilhoso que fez aqui, mas principalmente pela luz advinda de uns olhinhos miúdos, de um menininho lindo chamado Lucas. Fui para missa porque eu estava sentindo minha espiritualidade minguar, tornar-se cada vez mais fraca apesar das minhas insistências com Deus. O meu sono, implacável, roubava o tempo que eu tinha pra prosear com meu amigo lá de cima. Sobrou o vazio e fui atrás de preenchê-lo. Há tempos que eu tentava, e fui recuperando a credibilidade na minha fé aos poucos, devagarinho. Não acredito em fé que não duvida dela própria, apesar de parecer um contra-senso. Acho que devemos sempre investigar nossas crenças, a fim de que elas amadureçam, tornem-se sustentáveis.

Hoje eu diria que o silêncio foi muito mais importante do que qualquer pregação que eu poderia ter ouvido. Dessa forma,um tanto quanto cética,mas sempre pedindo desculpas a Deus pelas minhas dúvidas, cheguei para assistir a missa e logo que desci do carro, o Lucas me olhou e sorriu.Ele estava descalço e sem camisa, mas nunca vi um menino tão lindo e com olhos tão expressivos em toda minha vida. Cabelinho castanho, lisinho de dar dó, sob a testa,sorriso sincero,que faz preguinha no canto do olho.Acho que foi paixão à primeira vista e o melhor de tudo é que ele foi com a minha cara também e correu para me dar um abraço, assim, do nada, mesmo. Eu fiquei sem saber o que fazer, e não tive alternativas a não ser me render, abrançando-o e levando-o ao céu- bom, não sei quem, na verdade, foi no céu-.A mãe dele estava "guardando" os carros em frente à igreja, e ela encabulou-se da aparente 'carência afetiva' de Lucas, que foi logo correndo pros meus braços. Dei tanto cheiro nele, e achei o moleque tão parecido comigo que eu confesso que quis levá-lo pra casa. Mas a mãe só tinha ele, e disse que era a pérola da vida dela. Só podia mesmo.


Eu não consegui, e parece que não vou conseguir, explicar como Lucas, de 4 anos, mexeu comigo, só sei que entrei na missa chorando e sai dela chorando ainda mais. Mas era aquele choro inexplicável, jamais um símbolo de tristeza, alegria ou mesmo de 'fragmentos de história'. Acho que as lágrimas estavam lavando a minha alma, como se eu tivesse tido um 'insight' e me lembrado da essência das coisas, lembrado da centelha divina que existe lá dentro de cada um, escondida em algum lugar do nosso coração.O Lucas conseguiu me passar a sensação de que Deus, se fez na forma de criança,pra chamar minha atenção. Chegou sem alarde e só de me ver- de volta- já abriu o sorriso, correndo pro abraço, sem perguntar o que eu fiz de errado. Me encheu de afagos, me levou no Céu, e me deu a certeza de que ele me amava apenas por estar ali, mesmo sem um doce ou um brinquedo para dar em troca. Acho que é a certeza de se saber amado apenas pelo que se é, mesmo que não sejamos grande coisa.


Enfim... o domingo foi do "Lucas" na minha vida.

Que amanhã, possa ser o dia do "Mateus", na sua.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Carta para Renan

Renan,

Quem escreve aqui é sua tia (a de verdade, entre as várias "de coração" que você tem) e eu estou aqui para lhe dar algumas instruções sobre como usar o mundo que você ganhou.
Por aqui, tudo é muito rápido, sabe? Você vai ver que não vai demorar nada para você andar, falar, chorar e sorrir. É quase tudo veloz como a luz (a luz é mais rápida que tudo!) .
Você vai ver um monte de coisa linda por aqui. Tem o céu, que é bem azulzinho, e tem umas nuvens (aquelas branquinhas) que parecem algodão, mas eu já desisti de pegar nelas, a gente é pequeno e elas estão lááá em cima.
Quando chega a noite, o sol vai dormir e a amiga dele,a Lua,fica iluminando o mundo. Ela é como uma apresentadora de TV, e precisa de assistentes, que são as estrelas. Cada estrelinha tem um brilho e, juntas, iluminam todo o céu. Cada estrela tem um nome, mas você pode chamá-las de um apelido, quem sabe o nome de alguém que você gosta e faz tempo que você não vê?
Ah, eu também esqueci de te mostrar o mar. O mar é um montão de água que Deus derramou na terra para que um montão de peixes pudesse nadar lá. Mas você também pode entrar nele, não precisa ter medo, é só um pouquinho salgado, mas é uma delícia se molhar na beirinha.
Você também vai ter um bichinho de estimação, que você pode escolher, tem cachorro, gato, papagaio...todos eles são seus amigos e você deve tratá-los com carinho.
O que é carinho? Carinho é quando sua mãe faz suco de laranja pra você e te dá pra você não ficar doente. Carinho é quando seu pai chega do trabalho com um chocolate que você gosta.
Mas,sabe, Renan,o carinho geralmente tem um amigo, que é o Amor. Esse é o mais legal de todos. Você foi feito dele. Dá pra ver o amor quando você desenha sua mãe num papel, o desenho fica feio e mesmo assim ela pendura na parede. Sua prima Bia uma vez me falou que amava a vó dela porque ela fazia "leitinho quente" pra ela tomar antes de dormir.
Não se preocupe, você vai ser coberto de amor e vai saber bem o que é.
As pessoas que você vai conhecer durante toda a sua vida sempre vão vir como mensageiros de Deus. Sabe aqueles anjinhos no seu quarto? Pois é, um dia eles foram como a gente, que não temos asas. Cada pessoa que vai chegar na sua vida é um daquele. Aí a pessoa vem, te mostra alguma coisa que você não sabe, e depois ela se vai. Sempre. Umas demoram a ir, outras vão logo. Depende do quanto elas têm pra te ensinar. Mas não fique triste quando elas forem, viu?
E se você não voltar a vê-las talvez seja porque elas foram dormir. Tem gente que vai dormir e nunca mais acorda, acredita? Pois é.
Olha, Titia vai ter que ir embora estudar. É porque tem muito menininho assim, como você, que não tem nada disso que eu te falei. Não tem amor, não tem lápis pra desenhar, não tem leite quente pra dormir. Aí a gente precisa fazer alguma coisa por eles. Então, ou você doa algum brinquedo seu, ou convida ele pra brincar com você, ou mesmo divide seu lanche. Daí, quando você crescer, você tem que se lembrar de todas essas pessoas que precisam da nossa ajuda.
Então, você estuda bem muito, e tenta mudar alguma coisa, pra tornar esse mundo melhor do que era antes de você entrar nele.
Não esqueça de escovar os dentes e falar com Papai do Céu antes de dormir, e pode vir ficar aqui em casa quando sua mãe ficar muito chata.
Eu te amo.
Um beijo da sua tia,
Vivi.




terça-feira, 30 de outubro de 2007

Run!

Peço licença aos visitantes desse blog para que eu passe um tempo sem postar. É que tenho um milhão de páginas para estudar e o negócio tá apertando. Mas hoje eu gostaria de dizer umas coisas.Porque tem dias que a gente fica tristão mesmo, principalmente depois de um fim-de-semana de sol, achando que aquela alegria apenas adia o momento de decidir tanta coisa que a gente considera importante e que nem começou a pensar direito. Aí vem uma colega que mal nos conhece e, olhando praquela cara triste de dar pena, diz: - "Você está sem plano de vôo". E acerta na mosca. Bingo.

Na mosca mesmo, porque faz tempo que você anda sem rumo, sem “plano de vôo”. Porque está escrito na tua cara que você navega sem rota há séculos num oceano atlântico de opções, com toda tua vontade de ser feliz e de comer o mundo. Mas quantas vezes você já navegou sem plano de vôo e afinal, que diabos significa ter um plano de vôo na vida? Claro que eu já fiz mil planos na vida e que todos escorreram feito água gelada pela garganta de um sedento no passar dos anos. E tinha que ser assim, não há outro modo. Porque a vida é isso mesmo. Hoje você faz planos e planeja tudo certinho, aí vem o destino amanhã e revira tudo, deixa tudo igual que antes, de pernas pro ar. Aliás, isso acontece se você tiver um sorte, porque pode ficar muito pior.


Então o melhor é ter idéias, ter princípios, confiar em você mesmo, esperar um pouquinho enquanto passa o “banzo” pra voltar a sorrir e, de novo, fazer mil planos, esperando sempre que a grande roda da vida volte a rodar e parar no teu nome.Todo dia é segunda-feira, todo dia é dia de recomeçar, de sacudir a poeira e dar a volta por cima. Dizem que os suicidas odeiam as segundas-feiras. A idéia de recomeçar os arrasa. Eu gosto das segundas-feiras, encanta-me a idéia de recomeçar a cada dia, com mais garra. Melhor ainda é a terça, dia da provação, de saber se aquele upgrade vai durar. Seja o que for, eu há muito estou preparada. Porque quem vive sem plano de vôo sempre está preparado. Meu coração é novo e meu anjo da guarda já enlouqueceu faz tempo. O importante é saber tirar proveito do silêncio, da falta de riso, da falta de saco, deste vazio momentâneo. É saber quem você é de verdade. Sempre com grandes planos pro futuro, cuidando dos pequenos, celebrando a vida e cantando todo dia: Força sempre, até o fim.


É como diz aquela canção...


Quem bater primeiro a dobra do mar
Dá de lá bandeira qualquer, aponta pra fé
E rema
É, pode ser que a maré não vire
Pode ser do vento vir contra o cais
E se já não sinto teus sinais
Pode ser da vida acostumar
Será, Morena?
Sobre estar só, eu sei
nos mares por onde andei devagar
dedicou-se mais o acaso a se esconder
E agora o amanhã, cadê?
Doce o mar, perdeu no meu cantar

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Un Bello Dia!


Pode acreditar, é possível recomeçar numa sexta-feira! E o melhor, de madrugada!


Eu cheguei em casa com uma felicidade da melhor que há, que é quando nos damos conta do quanto somos abençoados pelo simples fato de existir. Eu me recordo que uma das cenas de filme que mais me ensinaram foi quando o Nicolas Cage, em Cidade dos Anjos, tem uma conversa no final do filme com um amigo "anjo" e ele diz que não se arrepende de ter trocado a eternidade por alguns momentos junto da sua amada, mesmo que ela tivesse falecido poucos minutos depois dele ter estado com ela.Os instantes de "vida", dizia ele, tinham valido por uma existência inteira .Depois, para convencer o amigo de que falava a verdade, tira a roupa e vai tomar um banho de mar, daqueles que lavam até as almas mais sujas.


Cheguei em casa e vi o estado deplorável em que meu pobre quarto se encontrava,respirei fundo e comecei a arrumá-lo. Não sei, mas quando fui retirando os excessos, eu me sentia melhor. Jogando lixo, papel, separando roupas que não uso mais, essa sensação de ir se desfazendo do que um dia foi útil e hoje não serve, nos dá a incrível sensação de plenitude.

É como se, através do lixo material, também fosse possível fazer uma varredura espiritual. Complicado, mas eu senti essa sensação. E o melhor foi ligar a televisão no exato momento em que Pe. Fábio de Melo dizia: "A gente começa a mudar o mundo a partir de uma arrumação no guarda-roupa". Eu acredito muito nisso, em apreender uma realidade exterior e interiorizá-la a ponto de nos modificar em algum aspecto.


No livro do Oscar Wilde ("O Retrato de Dorian Gray") o lorde Henry sempre bate na mesma tecla: "Nada pode curar melhor a alma do que os sentidos, e nada pode curar melhor os sentidos do que a alma". Eu acredito nisso, embora os conselhos do livro sejam um tanto quanto drásticos demais... Acredito que o importante é a ação, o movimento. A tentativa de se tornar melhor, de organizar a vida, de se modificar a cada dia, seja pela arrumação do quarto ou da própria alma, é sempre um passo importante na direção certa, seja ela qual for!

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Descobri o "I Ching" por acaso, na casa de Deyna
(amiga, um dia eu devolvo!).

Fiquei curiosa ao ler o prefácio,escrito por Carl Jung :

"O I Ching insiste a todo instante no autoconhecimento. O método pelo qual isso deve ser alcançado está sujeito a todo tipo de aplicações errôneas e, por isso, não convém aos frívolos e imaturos..Só é apropriado para as pessoas reflexivas que gostam de pensar sobre o que fazem e o que lhes acontece..."


Desde que comecei a consultar este livro, tenho obtido respostas claras às minha dúvidas. Na verdade, ele não serve para ler a sorte ou algo do tipo. O I Ching é um tesouro da sabedoria filosófica e que se usado corretamente, ele é um verdadeiro espelho do que você está realmente pensando, mesmo que subconscientemente. O livro consegue emergir o que se passa no coração. Também já ouvi falar que pode-se ler o I Ching todo e selecionar o que se aplica a você. Eu prefiro jogar as moedas e interpretar os significados.

Consultei o livro hoje e vou usar a resposta que obtive como exemplo para quem não conhece o I Ching:

64. Antes da Conclusão:

"As condições são difíceis.A tarefa é grande e cheia de responsabilidade. Consiste em nada menos que conduzir o mundo da confusão de volta à ordem. Mesmo assim,é uma tarefa que promete sucesso, já que existe um objetivo capaz de reunir as forças divergentes. Porém, ao início, é necessário caminhar com toda cautela, como uma velha raposa andando sobre o gelo. Senão, todo o esforço terá sido inútil. Por isso, no período que precede a conclusão os pré-requisitos do sucesso são reflexão e cautela."

terça-feira, 23 de outubro de 2007

O inferno são os "outros"...(?)

Antes que eu me esqueça, aqui vai, escritinho, o agradecimento pelo marketing que minha "irmã" Cecil está fazendo desse blog! Eu nem sei se eu agradeço ou se mato a danada, porque esse negócio surgiu por acaso e não tenho a mínima pretensão de que alguém leia. Mas o fato é que tenho apertado aquela tecla (do F...,sabe?) muitas vezes e não tô preocupada em agradar. Tenho amor por palavras desde que aprendi meu nome- cujo 2º "n" foi minha primeira paixão,hehehe - e gosto de usar esse meio para expressar minha visão das coisas.
Hoje mesmo eu cheguei em casa pensando em escrever sobre algo tão constante na vida de todo mundo, e que a gente nem repara tanto porque já se acostumou. São os chamados "espíritos de porco" que estão à solta por aí.
Eu não sei porque diabos o povo gosta tanto de ver o "circo pegando fogo", as coisas dando errado na vida do outro, a fofoca que não pára. Eu não sei o que acontece na vida de tanta gente que adora falar, que tem comunidade no orkut do tipo: "eu não fofoco, apenas repasso informação...". Que p...é essa?
Eu, sinceramente, não entendo.
Não vou dar uma de falsa moralista aqui e dizer que nunca falei mal de alguém, etc,etc. Mas a vida me ensinou bem direitinho que é melhor se calar e tentar perceber as coisas de outra forma. Hoje em dia, eu evito até ouvir comentários. Eles não me servem para nada mesmo!
Melhor cuidar da vida da gente, porque se você for reparar, quanto mais nos conhecemos, mais vemos o peso da falibilidade humana, e a partir disso, nossa percepção fica bem mais esclarecida. É como se eu estivesse investigando meu "cisco" primeiro, para depois olhar o do outro. E, cá pra nós, quando a gente começa a ver nosso cisco, essa auto-investigação nos consome a ponto de você sequer ter tempo para saber se o outro é vesgo!

domingo, 21 de outubro de 2007

Campina...

A melhor coisa de Campina é tomar café na casa de Vovó, ouvindo Tia Coca falar sem parar, "Dotô" contar piada, Mamãe dizer que morre de calor e Marília falar que morre de frio, Papai dormir por 24h na rede, me encontrar com Deyna, Renato e Camila e sempre, chorar de rir. É sempre bom saber que tem gente que gosta da gente, assim, só pelo que a gente é. ;)

sábado, 20 de outubro de 2007

Só para mulheres (auto-ajuda básica)

Como eu vou ficar sem postar esses dias, vou deixar um conselho escrito, dos muitos que eu tenho falado para minhas amigas "mulherzinhas" (eu uso esse termo para distinguir quando somos burras) : a gente já descobriu, há algum tempo -aos 15 anos, por aí- que os príncipes encantados não existem. A gente também descobriu que os homens são bem mais simples do que nós, e por isso mesmo é que nós não os entendemos (como eles conseguem ser felizes com uma cerveja e vendo vinte e dois homens correrem atrás de uma bola?) . Mas o mundo seria uma tragédia grega se esses caras fossem como nós, mulheres,melodramáticas por natureza.
Só que o mundo inteiro sabe que adoramos inventar histórias fantásticas sobre nossas conturbadas vidas amorosas...daí tentamos colocar um milhão de problemas psicológicos no rapaz, com a falsa ilusão de que ele sofre de pseudo-síndromes que os impedem de assumir algo sério, ou de ficar ao nosso lado, ou mesmo de declarar que nos ama, por medo do compromisso, da mãe, do pai, do cachorro, e sabe-se-lá-do-quê.
A questão é muito simples, tão simplória como a mente dos marmanjos: quando o cara está afim, não tem pai de santo nem mãe xogum que o impeça de ficar com você. Ele é complicado, ainda não descobriu que lhe ama, está passando por uma má-fase? Balela.Tudo alternativas próprias de quem não está na sua, mas não tem coragem de admitir.Quase sempre, é simples assim.
Já passei por tanta confusão nessa área que hoje adoto um critério muito simples: só entra na minha vida quem vier para me fazer bem. Senão, não precisa entrar. Existem milhões de homens no mundo, mais outro tanto de mulheres. Ninguém precisa estar do lado de alguém que nos faz sentir piores. Além disso, acredito que quando você chega a se cansar de tanto esforço que faz para uma relação dar certo, é porque ela não é a certa para você.
Aprendi que tudo que é natural, é melhor. Quando a gente força demais, é sinal de que escolheu a peça errada. Quando é a certa, não precisa 'apertar', bater, dar o famoso 'jeitinho'. As peças simplesmente se encaixam, sem esforço algum. As dificuldades vão existir sempre, já que dividir a vida com alguém não é tarefa fácil. Mas uma coisa é discutir sobre ele ter se atrasado pro filme, outra bem diferente é discutir por ele sequer ter aparecido.
Como diria o Dalai Lama, "é preciso ser egoísta sabiamente". Não dá para ser altruísta quando se trata da nossa própria felicidade. Se o cara não te valoriza, sinto muito, não perca tempo tentando mostrar a burrada que ele está fazendo ao te perder. Deixe que ele descubra sozinho depois, quando você já estiver distante o suficiente para não voltar à estação tristeza.
Quando me diziam que nenhum homem merece nosso sofrimento, eu dizia que é porque aquele que me dava conselhos nunca tinha amado de verdade. Hoje, quando vejo alguém sofrer por outro, digo sempre que aquilo vai passar...quando a própria pessoa se amar de verdade.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Deprê das Quintas

Eu devia ter lido processo penal hoje, mas acabei lendo filosofia em busca de respostas aplicáveis aos problemas que tenho vivido. O melhor disso é saber que cada um de nós conta com uma filosofia própria, que por sua vez, encontra raízes em nomes bem mais gabaritados, que pensaram a mesma coisa muito antes.
Hoje quem me acalentou foi Kant, com o pensamento de que devemos tratar os outros como fins em si mesmos, e não como meios para nossos fins. Ou seja: em vez de controlar os outros para nossos propósitos, devemos apreciá-los como pessoas que têm seus próprios conjuntos de metas, de sonhos, de medos, inseguranças e fraquezas. Se quisermos estar do lado, precisamos ter em mente essa complexidade que faz o outro ser o que ele é.
Ninguém disse que seria fácil...
Ele ainda tem outra passagem muito bonita que nos faz pensar que ir em busca da nossa satisfação pessoal é, sobretudo, um dever moral!

"Garantir a própria felicidade é um dever, pelo menos indiretamente; pois estar descontente com a própria condição, sob a pressão de várias ansiedades e em meio a necessidades insatisfeitas, pode facilmente tornar-se uma grande tentação à transgressão do dever."
(Immanuel Kant)

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Sonhos...

Aristóteles dizia que a virtude era um hábito e eu tenho mantido essa frase como bússola na vida. Tento ir conquistando os méritos pelo esforço, não pela simples "graça de Deus". Tudo bem que Deus me deu alguns talentos visíveis, outros nem tanto, mas o que importa é que preciso sempre aprender a ser melhor. Afinal, se eu posso deixar em você hoje, alguma palavra que valha a pena, por que deixar uma que não valha? Se eu posso te tratar bem, como vc merece, por que não agir assim?
Antes que eu divague demais, vou falar aqui de outra coisa. As "coincidências" acontecem tanto na minha vida que já começo a me perguntar até onde isso vai...Ontem sonhei com uma colega minha que não tinha notícia há tempos. Ela estava triste no sonho. Procurei por ela hoje no orkut e não a encontrei. No fim da manhã soube, por outros, que aquela colega minha estava grávida e tinha descoberto recentemente.
Não tenho dúvidas de que a cena do sonho foi real. E me pergunto até onde vai nossa interferência na vida das pessoas e até que ponto essa interferência vem de nós.
Mandei um e-mail pra ela, contando do sonho e da minha obrigação em dar o recado: ela ia ser feliz.
Acredito que cada um que passa por nossa história, é destinado a nos dar um recado. Hoje mesmo recebi um, depois de várias perguntas imaginárias sobre o que fazer da minha vida.
Uma amiga minha disse,assim do nada, sem que eu precisasse perguntar...
"Vivianne, sonho é sonho".
Não precisei mais pedir respostas a Deus. Elas simplesmente vêm.
Em forma de sonhos ou de "sonhos"...

domingo, 14 de outubro de 2007

"Encontros e Despedidas"

Hoje eu tô com banzo. Banzo do pior que tem, que é aquele que não cura com vodka nem com droga nenhuma. Eu me lembro que eu ficava assim quando me ´intrigava´ pela 5ª vez em uma semana, da minha melhor amiga, na 6ª série. Era aquele desconforto de ter um dia triste inteirinho e não ter compromisso marcado. Dá nisso: a tristeza fica marinando, 'pegando' sabor.Sabor de saudade...ou dissabor? Não sei. O que eu sei, bem certinho, é que o coração da gente é um pobre coitado. Quando pensa que sossega...lá vem a Vida, maliciosa e esperta como sempre, e zás! Tira um pedacinho do infeliz só para dar a alguém que vai embora. Enquanto os outros carregam um pedacinho do nosso, a gente também fica carregando os corações alheios . Sinceramente, eu não sei no que isso vai dar.
Mas que dá saudade, dá.

A Maria Rita canta assim:

Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também despedida

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Cordelzinho

A menina descobriu
Pelo mundo virtual
Aquela face bonita
Do seu par ideal


Foi assim, de repente
Ela lhe mandou um recado
Dizendo, sutilmente
Ele era do seu agrado



Para sua surpresa
O rapaz lhe respondeu
Com toda delicadeza
Parecendo um Romeu


E o primeiro encontro
Aconteceu naquela cidade
Marcaram naquele ponto
Pra viver a mocidade


Os dias se passaram
E os dois continuavam
A viver aquela história
Aqueles dias de glória
Que o tempo desafiavam


Mas então chegou o dia
Acabou-se a alegria
A moça se despedia
Da paixão que conhecia


O rapaz se foi pra longe
Foi fazer a sua trilha
Tão perto e tão distante
Caminhou milhas e milhas


E assim é que esses versos
Retratam os dias bonitos
A despedida é o reverso
Daqueles momentos lindos


Mas que terão que ficar
Pelo menos, pra lembrar
Da direção que estão indo.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Mamãe

Uma vez vi uma frase que dizia, se bem me lembro, que quando você acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas. E eu diria que, nesse estágio, no exato momento da mudança, você acaba vendo ali, bem à sua frente, a reformulação de todo o seu futuro com uma simples escolha que se faça.

Diante dessa imensa confusão, o que eu consigo observar são as coisas que, mesmo entrelaçadas a tantas outras, não devem ser mudadas, simplesmente porque são essenciais. O Caio Fernando de Abreu já falava que depois das tempestades, o que fica em nós é mais verdadeiro e essencial. Falo das coisas que têm significado. E que nem sempre abrimos os olhos para observá-las.

Ontem eu briguei com minha mãe. Eu, no alto da minha "personalidade", falava em cima de um pedestal imaginário que me fazia me sentir muito mais articulada que ela nos argumentos. Daí, enquanto eu ainda tinha energia de sobra para uma discussão infindável, ela simplesmente solta a frase nocauteadora: "Eu só quero o seu bem".

Ela saiu e eu chorei. Assim, baixinho, para ela não ter tanta certeza de que conseguiu me atingir, bem no alvo. Fiquei pensando nas pessoas que me amam. E o quanto eu não lhes dou o valor que elas merecem. Às vezes dedicamos afeto instantâneo a um monte de gente que acabamos de conhecer, mas não somos capazes de dar um afago naquelas pessoas que nos suportam sempre, simplesmente porque nos amam.

O mais intrigante é ver o porquê de querermos ser amados. Fazemos tudo o que está ao nosso alcance para que o outro descubra nossos jardins secretos, damos a falsa impressão de sermos indivíduos dotados de uma espécie de aura de perfeição, para que o outro nos admire, nos enobreça, nos coloque em um plano dos 'dignos de amor'.

No entanto, acredito que o sentimento mais verdadeiro se coloca muito além de todo esse cenário. Minha mãe tem um milhão de defeitos. Mas eu daria minha vida por ela. Deve ser isso o chamado "amor". Acredito mais nos pequenos gestos do que nas grandes frases. Amar, para mim, é deixar meu ego de lado e lavar os pratos sujos da pia, porque meu pai é metódico e sofre quando vê a louça entulhada. Eu não estou lavando os pratos, eu estou amando meu pai.

Acho que essa 'prova dos nove' das atitudes deve guiar nossas condutas. Acho que devemos prestar mais atenção naquelas coisas aparentemente banais, que as pessoas fazem por nós. Elas carregam a profundidade do sentimento. Fico observando as atitudes das pessoas que estão ao meu redor a partir dessa perspectiva. Muitas me confessam indiferença nos gestos, e costumo prestar atenção nisso. Outras me mostram afeto sem falar uma palavra sequer. Cabe a mim, portanto, mensurar cada um dos lados e atribuir o seu valor.

Aprendi, com aquela frase da minha mãe, que devemos valorizar as pessoas que nos querem bem. Só porque ela é carregada de humanidade precária, e por isso mesmo, falível tantas vezes, não significa que seu amor por mim não seja muito mais divino que humano. Só porque ela já me ama, não significa que não preciso mais tratá-la com toda ternura que ela merece. Porque, já dizia Exupèrry, no Pequeno Príncipe, que "foi o tempo que dedicastes à tua rosa que a fez tão importante". Por isso, vou regar as minhas rosas, que, por tantas vezes, transformam-se em cactos diante da minha aridez, do meu deserto.
A Adélia Prado, do alto da sua sensibilidade, sintetiza isso tudo de forma ímpar, no poema 'Ensinamento":

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Historinha pra dormir

Duas muriçocas saíram pela noite, à procura de um casal para azucrinar. Tinha que ser um casal, porque cada uma ficava zumbindo em uma orelha diferente. A muriçoca mais nova, ansiosa por desbravar novos lugares, chamou a amiga para uma aventura pela copa das árvores. O alimento,certamente, seria mais saboroso, "porque gente que gosta de árvore, tem o sangue mais doce", disse a impetuosa muriçosa adolescente, apaixonada por aquele 'molhinho vermelho agridoce', comum na culinária das muriçocas chinesas. A mais velha advertiu:

-"Vamos com muita calma, senão os ´maroins´das árvores nos pegam. Vá devagar,não se entregue às suas paixões deste jeito!". E assim foram.


Chegando perto de uma bela Castanhola, elas pararam e viram um casal, contemplando a árvore, da janela do quarto. A muriçoca mais velha alertou, do alto da sua experiência:


"Temos que esperar, eles ainda estão acordados e corremos riscos de um ataque súbito e certeiro com as mãos. Quando eles dormirem, nós nos aproximamos."


A mais jovem, claro, não se conteve e se aproximou. Tinha lido a "Arte da Guerra para Mulheres" e sabia que tinha de conhecer o inimigo. De cara, gostou da música que o casal escutava. Sabia distinguir música boa, apesar de não entender uma palavra sequer. Se aproximando mais, chegando bem perto, aí sim, ela entendia alguma coisa, graças àquele curso básico de "fala humana" que fizera. Assim, conseguiu ouvir a conversa daquele casal. O rapaz parecia ter uma boa retórica, falava como um cientista político, cheio de idéias revolucionárias e entusiasmado ao tocar algum instrumento, que, no entanto,a muriçoca não via. "Mas ele toca!", repetia a si mesma, incrédula.


Observou a moça, que olhava para todos os lugares e citava sempre alguma frase de um poeta para fundamentar suas impressões sobre as coisas.Parecia flutuar em um mundo imaginário. Se a muriçoca via um pé junto a outro, a moça declamava,para si mesma:


"Amar o perdido, deixa confudido este coração / Nada pode o olvido contra o sem sentido apelo do Não/ As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão/ Mas as coisas findas,muito mais que lindas, essas ficarão."


E a muriçoca não entendia nada! Casal Estranho. Mas, como todos os curiosos, ela gostava de novidade. E assim, ficou por ali, enquanto a mais velha havia desistido e voltado a sua conformidade habitual.



A muriçoca ninfeta pensou em ser antropóloga um dia, seguir uma carreira diferente daquelas tradicionais, mas a luta pela sobrevivência a fez migrar para o lado mais comum, indo atrás do sangue-nosso-de-cada-dia. Mas nem por isso deixou de estudar o comportamento das pessoas. E aqueles dois humanos eram intrigantes. A muriçoca, com sua visão aguçada, que lhe permitia ver as coisas com clareza mesmo diante da escuridão completa, percebeu que naquele lugar, havia um espelho diferente, que refletia a imagem real do espectador.


A muriçoca descobriu isso ao se observar naquele espelho. Ela não era apenas um inseto, tão igual a tantos outros. Ela se via maior, mais bonita, altiva, uma antropóloga reconhecida internacionalmente. Ela se via enfim, do tamanho que ela era de verdade, e não do tamanho que os outros a enxergavam. O espelho era mágico! Ficou tão maravilhada com aquilo, que já não podia mais sair dali. Tinha medo de voltar a se enxergar menor.


Então, grudada no espelho,observava que o casal passava por aquele arco sem notar sua verdadeira imagem, refletida ali, diante deles! A muriçoquinha ficou atônita! Eles pensavam que não havia espelho! Que aquele arco era apenas mais um trivial, parecido com um bambolê,comum a tantos outros! E a muriçoca não conseguia alertar sobre o que ela via!



O rapaz passava e ela conseguia enxergá-lo como verdadeiramente era, cheio de ternura e encantos, com asas enormes, destinadas a alçar longos e altos vôos. A moça despenteava os cabelos sem notar sua imagem ali, bem à sua frente, lhe mostrando sua real capacidade, seu potencial de águia,com asas e olhos que a faziam enxergar muito além do alcance.


A muriçoca cansou-se. Por mais que se esforçasse em gritar, espernear para que os humanos pudessem ver suas características divinas, eles não viam o que estava a sua frente. Tolos, acreditavam que eram apenas pessoas comuns, com problemas e dilemas ainda mais comuns. A jovem antropóloga desgruda do espelho e sai voando...Sabia que havia nascido para algo além, trazia consigo um sentido diferente das coisas. Chegou pensativa em casa e a sua amiga mais velha pergunta o que houve. Ela, mesmo resignada em não poder espalhar a notícia para o mundo, responde:



"Descobri que os seres humanos também têm asas, mas não voam! "

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Maricota

Acabo de chegar do aeroporto, fui me despedir de Mari, minha grande amiga que foi embora para o Canadá. De repente, o avião subiu e foi pintando o céu de cinza. Acho que meu coração gostou da idéia e também foi descolorindo. Aí, como um efeito dominó, a cor dos meus olhos foi sendo lavada por uma água densa, que teimava em não deixar mais nenhuma manchinha castanha nos coitados. Mas foi até bom lavar tudo, porque aí eu pude enxergar as estrelas. Cada uma com seu brilho, formando uma constelação que só é bonita porque é complexa,indeterminada, infinita. Acho que a vida deve ser assim: uma constelação cheia de diferentes estrelas. Algumas brilham por muito tempo, outras precisam de mais espaço para conseguir encontrar sua luz, outras são estrelas cadentes que aparecem de vez em quando, só para iluminar nosso céu quando tudo está muito escuro. É,Mari. Já sinto falta da sua luz.Como diria aquele romancista Henrique Maximiliano Coelho Neto, "A casa da saudade chama-se memória: é uma cabana pequenina a um canto do coração."

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Prece

"Alivia a minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade,faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que eu receba o mundo sem receio, pois para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma também incompreensível, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade por mim mesma, pois senão não poderei sentir que Deus me amou, faze com que eu perca o pudor de desejar que na hora de minha morte haja uma mão humana amada para apertar a minha, amém."

(Trecho de "Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres,de Clarice Lispector)

terça-feira, 2 de outubro de 2007

"ameno dori me"

Hoje fui para mais um Congresso sobre os "direitos" da vida, sequer havia feito minha inscrição tamanho meu desinteresse pelos mesmos 'debates' de sempre, e, por sorte, minha mãe se encarregou de colocar meu nome, já que ela também ia. Qual não foi minha surpresa ao me deparar com o tema, e o melhor com as excelentes palestras do "I Seminário de Direitos Humanos da Criança e do Adolescente no Estado da PB".

Eu me considero sensível, me emociono facilmente e encontro muitos significados em coisas aparentemente banais, já chorei de alegria,de raiva,de tristeza ao ver as cenas cotidianas da miséria latente ao redor, lendo livros,vendo beijos de novela, ouvindo músicas. Mas eu nunca,em toda minha vida, havia chorado em uma palestra. Pelos meus cálculos,ainda não estou de TPM,então atribuo os meus olhos marejados aos dados da palestra, às suas cenas e falas.

O trabalho, a prostituição, a exploração sexual de seres tão pequenos e tão órfãos, dói no fundo da minha alma, não em um sentido caridoso ou piegas, mas aquela dor que faz você tremer de indignação ao ver o quanto somos mesquinhos,hipócritas,egoístas.O quanto a sociedade brasileira é apática,deitada em seu 'berço esplêndido', assistindo novela, achando tudo uma pena, e ponto.Neste momento, alguma menina dorme, cansada de trabalhar o dia inteiro. Amanhã, algum menino vai chegar cansado na escola e, na 2ª série, ainda não vai saber escrever o próprio nome. O bolsa família está aí, para lhe dar uma esmola mensal em troca dele engrossar as estatísticas de "15 milhões de crianças na escola" e só. De tarde, ele vai p/ o sinal, fazer malabarismo para "ajudar na despesa" e de noite, ajuda a mãe a cuidar dos outros três irmãos menores. Este menino se chama "Wesley" e me contou sua rotina semanas atrás.Perguntei se onde ele morava existia conselho tutelar. Desde então, nunca mais o vi. Naquela noite, dei uma camisa a ele, mas ele era esperto e viu que era de menina...deu à irmã.

É bom você saber que,neste momento, há milhares de crianças sendo violentadas das mais diferentes formas. Em algum lugar bem perto daqui, há uma infinidade de vidas sendo marcadas do pior jeito,para sempre,por algum depravado dos muitos que existem por aí, que adoram se auto-afirmar com pequenas crianças de 11 anos de idade. Choro de raiva. De dor. Daquele sentimento de impotência que, no entanto,também nos impulsiona a querer mudar as coisas. Eu estudo para isso, e ver que metade das crianças violentadas já tentaram suicídio, me faz estudar mais. Quem sabe,um dia, eu não possa tirar a corda do pescoço de alguma delas.

domingo, 30 de setembro de 2007

"Acasos"

A vida tá meio me levando, embora eu prefira quando eu mesma a levo. Por isso a ausência nesse blog. Estou repensando as escolhas, fazendo um "efeito borboleta" dentro da cabeça e pensando no monte de possibilidades que a vida nos oferece. Como diria Mário Prata, 'indecisão é quando você sabe exatamente o que quer, mas acha que deveria querer outra coisa". Na verdade, não me sinto indecisa, me sinto perdida mesmo! É que Deus às vezes é complicado demais de entender (ou eu sou ignorante o suficiente para não observar as respostas), e eu não sei direito o que Ele pretende fazer na minha vida. O que sei é que acredito piamente que Ele está me conduzindo e me dando pistas que se disfarçam de acasos. Como diria aquele pensador francês que não lembro o nome, "o acaso é o Deus dos idiotas", e eu não acredito nele.
Sexta-Feira, por exemplo, passei o dia resignada por não ir para o show de uma das minhas cantoras favoritas, Vanessa da Mata. Comecei a estudar e a sensação de incômodo foi tão grande que só desanuviou quando falei:"Tá bom, eu vou e pronto!". Pedi para minha mãe comprar o ingresso e horas depois...ela me liga, dizendo que os ingressos tinham acabado. Não tem jeito, parece que quanto mais difícil, mais me atrai e claro que, com essa informação, só peguei a chave do carro, do jeito que eu tava mesmo e fui atrás do bendito ingresso, só de pirraça, para mostrar ao destino quem é que estava no comando!
Quando cheguei lá, os ingressos ainda não tinham chegado e esperei, determinada no meu intuito inabalável. Essa força toda amoleceu quando vi um carro (bom,eu devia ter escrito com letra maiúscula...) se aproximar...e um produtor lá disse:"Ela chegou para passar o som".
Ãh???Como assim? Vanessa da Mata? Aqui? E eu aqui? Confesso que quem me visse nesta hora diria que eu estava rindo à tôa, mas na verdade eu sorria dizendo a Deus: "Ok, é vc mesmo quem manda"...
Dei um jeito e fui bater lá no camarim. Esperei um bocado e... bingo! Falei com ela, disse meu nome, minhas origens campinenses e minha admiração pelo trabalho dela (como se pôde perceber, eu fui bem original...). Tirei uma foto e fui 'enxerida' o bastante para pedir outra, porque a primeira tinha ficado escura...O produtor olhou pra mim e disse: "Vivianne,Vivianne...", como se eu estivesse abusando (alguma dúvida?). Horas e telefonemas (claro que eu tinha que contar pra meio mundo, senão, qual a graça?) mais tarde, cheguei no show, meio extasiada ainda pela colher-de-chá que o grandão lá de cima tinha me dado.
Confesso que o show foi menos do que eu previa, mas é aquela coisa da grande expectativa...melhor não criar imagens utópicas, claro. É preciso, como sempre, saborear as maravilhosas 'coincidências' da vida, que acontecem quando Deus resolve fazer pequenos milagres sem se mostrar tanto.
O melhor do show, foi, sem dúvida, essa música aí embaixo, de longe, uma das mais bonitas e significativas que já ouvi (baixem no e-mule, vale a pena!!!) :

Vanessa da Mata - Amado

Como pode ser gostar de alguém
E esse tal alguém não ser seu
Fico desejando nós gastando o mar
Pôr do Sol, postal, mais ninguém

Peço tanto a Deus
Para esquecer
Mas só de pedir me lembro
Minha linda flor
Meu jasmim será
Meus melhores beijos serão seus

Sinto que você é ligado a mim
Sempre que estou indo, volto atrás
Estou entregue a ponto de estar sempre só
Esperando um sim ou nunca mais

É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer

Sinto absoluto o dom de existir,
não há solidão, nem pena
Nessa doação, milagres do amor
Sinto uma extensão divina

É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer

Quero dançar com você
Dançar com você
Quero dançar com você
Dançar com você

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

' Preta e Branco'

O Branco do Leite se aproximou da Preta do Café.Tava cansado da brancura de todo dia e perguntou:

-Preta, como eu faço pra ter essa tua cor?

A Preta respondeu:

-Não sei,Branco,nasci assim. Por quê?

-Tô enjoando dessa minha cor pálida...

-Óia como são as coisas. Tu reclamando de ser alvim. E eu toda no pretume,às vezes não dá nem pra notar que eu caprichei no açúcar ou que no outro dia,tô meio amarga. O escuro é sempre assim, intenso demais.

-Eu também sofro de intensidade. A brancura às vezes é tão clara que eu acabo sofrendo porque me sinto vulnerável. Tô tentando evitar e deixar minha superfície coalhar e virar nata, pra ver se eu consigo despistar minha verdadeira cor.

-Pra quê isso,Branco? Já vi dos teus ficarem com a nata tão acumulada que perderam a essência, deixaram de ser límpidos e alvos, para virarem um amarelo sem graça, como o Guido Manteiga, aquele pastoso do balcão, por exemplo. Ele era como você,bem branquinho, mas se endureceu tanto que deixou de ser o que era.

-Você tem razão,Preta..

(...)

-Tua cor é linda, Branquim.

-A sua também é,Morena.

Naquele momento os dois se olharam bem de perto e sabiam que já faziam parte da vida um do outro. Não adiantou falar muita coisa, aqueles segundos de silêncio no olhar é o passaporte para uma outra porção do espaço. Eram cúmplices de um segredo que os fazia acreditar que não estavam mais sozinhos. Daí em diante, em tão pouco tempo, já não se sentiam tão inteiros quando se separavam. Parecia que sempre ficava um pouco do Branco na Preta, e da Preta no Branco. Mas não era só isso. Por serem muito intensos, não iam se misturando de um jeito comum, como tantos outros, quando estavam juntos criavam um sabor especial,ímpar.

Um dia o Manteiga do Balcão, parado, conversava com o Açucareiro do seu lado, que, por sinal, mesmo sendo tão doce, se inquietava com as formigas, aquelas tietes malucas que não o deixavam em paz um minuto sequer.

-Ei,Açúcar, cadê o Leite Branco que eu nunca mais vi por aqui?

-Ah,Manteiga,você não soube? Ele e a Preta do Café tão juntos agora. Resolveram mudar de cor e até de sabor. Parece que se deram muito bem, estão felizes e acho que o povo gosta deles dois juntos. Virou febre aqui na Padaria, Seu Cleiton até incluiu o nome da mistura deles no cardápio.

-Sério? E qual é o nome?

- "Top Capuccino".