sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Un Bello Dia!


Pode acreditar, é possível recomeçar numa sexta-feira! E o melhor, de madrugada!


Eu cheguei em casa com uma felicidade da melhor que há, que é quando nos damos conta do quanto somos abençoados pelo simples fato de existir. Eu me recordo que uma das cenas de filme que mais me ensinaram foi quando o Nicolas Cage, em Cidade dos Anjos, tem uma conversa no final do filme com um amigo "anjo" e ele diz que não se arrepende de ter trocado a eternidade por alguns momentos junto da sua amada, mesmo que ela tivesse falecido poucos minutos depois dele ter estado com ela.Os instantes de "vida", dizia ele, tinham valido por uma existência inteira .Depois, para convencer o amigo de que falava a verdade, tira a roupa e vai tomar um banho de mar, daqueles que lavam até as almas mais sujas.


Cheguei em casa e vi o estado deplorável em que meu pobre quarto se encontrava,respirei fundo e comecei a arrumá-lo. Não sei, mas quando fui retirando os excessos, eu me sentia melhor. Jogando lixo, papel, separando roupas que não uso mais, essa sensação de ir se desfazendo do que um dia foi útil e hoje não serve, nos dá a incrível sensação de plenitude.

É como se, através do lixo material, também fosse possível fazer uma varredura espiritual. Complicado, mas eu senti essa sensação. E o melhor foi ligar a televisão no exato momento em que Pe. Fábio de Melo dizia: "A gente começa a mudar o mundo a partir de uma arrumação no guarda-roupa". Eu acredito muito nisso, em apreender uma realidade exterior e interiorizá-la a ponto de nos modificar em algum aspecto.


No livro do Oscar Wilde ("O Retrato de Dorian Gray") o lorde Henry sempre bate na mesma tecla: "Nada pode curar melhor a alma do que os sentidos, e nada pode curar melhor os sentidos do que a alma". Eu acredito nisso, embora os conselhos do livro sejam um tanto quanto drásticos demais... Acredito que o importante é a ação, o movimento. A tentativa de se tornar melhor, de organizar a vida, de se modificar a cada dia, seja pela arrumação do quarto ou da própria alma, é sempre um passo importante na direção certa, seja ela qual for!

Um comentário:

deynaleao disse...

É vero...a gente quando se desapega de coisas velhas (ou até novas, mas cuja vez já se foi...) a gente tá deixando pra trás o que tem que ficar lá mesmo...e ai tudo se faz novo!Esses dias comprei um jogo novo de louça pra minha casa...dei "destino" a tudo que era velho, ultrapassado...foi tão bom... =) Beijo.