terça-feira, 2 de outubro de 2007

"ameno dori me"

Hoje fui para mais um Congresso sobre os "direitos" da vida, sequer havia feito minha inscrição tamanho meu desinteresse pelos mesmos 'debates' de sempre, e, por sorte, minha mãe se encarregou de colocar meu nome, já que ela também ia. Qual não foi minha surpresa ao me deparar com o tema, e o melhor com as excelentes palestras do "I Seminário de Direitos Humanos da Criança e do Adolescente no Estado da PB".

Eu me considero sensível, me emociono facilmente e encontro muitos significados em coisas aparentemente banais, já chorei de alegria,de raiva,de tristeza ao ver as cenas cotidianas da miséria latente ao redor, lendo livros,vendo beijos de novela, ouvindo músicas. Mas eu nunca,em toda minha vida, havia chorado em uma palestra. Pelos meus cálculos,ainda não estou de TPM,então atribuo os meus olhos marejados aos dados da palestra, às suas cenas e falas.

O trabalho, a prostituição, a exploração sexual de seres tão pequenos e tão órfãos, dói no fundo da minha alma, não em um sentido caridoso ou piegas, mas aquela dor que faz você tremer de indignação ao ver o quanto somos mesquinhos,hipócritas,egoístas.O quanto a sociedade brasileira é apática,deitada em seu 'berço esplêndido', assistindo novela, achando tudo uma pena, e ponto.Neste momento, alguma menina dorme, cansada de trabalhar o dia inteiro. Amanhã, algum menino vai chegar cansado na escola e, na 2ª série, ainda não vai saber escrever o próprio nome. O bolsa família está aí, para lhe dar uma esmola mensal em troca dele engrossar as estatísticas de "15 milhões de crianças na escola" e só. De tarde, ele vai p/ o sinal, fazer malabarismo para "ajudar na despesa" e de noite, ajuda a mãe a cuidar dos outros três irmãos menores. Este menino se chama "Wesley" e me contou sua rotina semanas atrás.Perguntei se onde ele morava existia conselho tutelar. Desde então, nunca mais o vi. Naquela noite, dei uma camisa a ele, mas ele era esperto e viu que era de menina...deu à irmã.

É bom você saber que,neste momento, há milhares de crianças sendo violentadas das mais diferentes formas. Em algum lugar bem perto daqui, há uma infinidade de vidas sendo marcadas do pior jeito,para sempre,por algum depravado dos muitos que existem por aí, que adoram se auto-afirmar com pequenas crianças de 11 anos de idade. Choro de raiva. De dor. Daquele sentimento de impotência que, no entanto,também nos impulsiona a querer mudar as coisas. Eu estudo para isso, e ver que metade das crianças violentadas já tentaram suicídio, me faz estudar mais. Quem sabe,um dia, eu não possa tirar a corda do pescoço de alguma delas.

Um comentário:

grabois disse...

Ótima indagação.. mas não seria o bolsa família um exemplo que o Estado está dando ao resto da sociedade? E ainda, por que se questiona tanto o que estes ´acionistas minoritários´ fazem com seus escassos dividendos do patrimônio nacional?