quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Espelho,espelho meu...

Devia ter estudado Processo Civil a tarde inteira, mas confesso que não resisti e assisti todo o julgamento da ação penal contra Ronaldo Cunha Lima, no STF. Comecei a ver os votos dos ministros, se estes iriam (des)considerar a ardilosa manobra que o ex-deputado fez, a fim de evitar seu julgamento pelo Min. Joaquim Barbosa, que certamente o condenaria. Antes que me acusem de maranhista,ou cassista ou qualquer outro jargão do tipo, confesso que não tenho predileções por nenhuma das partes. Nenhum paga minhas contas e por isso mesmo, posso ser imparcial. Aliás, posso ser parcial, mas do lado certo. Mas como saber o lado certo sendo parcial? Dialéticas à parte, voltemos ao assunto.


O que vi, além de algumas boas argumentações jurídicas, sobretudo, do ministro Carlos Ayres Britto( enquanto o que eu mais gostava, Celso de Mello, me decepcionou com seu dogmatismo enfadonho...), foi um verdadeiro desfile de vaidades. O ministro Joaquim Barbosa, com o devido respeito (ou venia, no jargão jurídico), colocou-se em um pedestal de moralidade que beirava muitas vezes a demagogia. Eu estava inteiramente a favor do julgamento ser mantido no STF, para não abrir precedentes para os mensaleiros de plantão,mas arrogância não ganha disputa, e o ministro pecou nesse quesito. De outro lado, a vaidade do outro Ministro, Gilmar Mendes, era de enojar qualquer um. É impressionante como o poder embriaga, corrompe, infla o ego dos pobres mortais (pois é, eles são pobres mortais, quem diria...).


Nem precisamos ir longe para perceber que a vaidade está em todos os lugares, em seus mais variados aspectos. O Brasil tornou-se um país vaidoso demais. O presidente, os ministros, os partidos, todos com suas grandes vaidades, até determinados guardas de trânsito, policiais, serventuários da justiça...estes sofrem do que eu chamo de síndrome da pequena autoridade, que os fazem se sentir muito além de nós, pobre cidadãos, que temos que agradar muito,sorrir a todo instante e ter paciência de Jó,a fim de receber um atendimento condizente com o que a lei diz ser obrigação do servidor público.

Também no tema de outras vaidades, o Brasil é campeão. A população torna-se cada vez mais sedenta por um corpo, rosto, alma perfeitos, a lotar as academias, os salões de beleza, as clínicas de cirurgia plástica. E claro que me incluo neste rol, apesar de lutar contra todas estas futilidades que às vezes me seduzem. É difícil viver aqui sem se sentir mal por estar acima do peso, mesmo que seja por 2kg a mais. Mais difícil ainda quando se tratam de 20, 30 kg a mais.Como dizia o Eclesiástico,“tudo é vaidade" e nada permanece. Por isso, luto para que em mim só sobre o essencial. Ainda que com 2 kg a menos...

2 comentários:

Daniel disse...

Vivianne, vc conseguiu ser imparcial mesmo sendo parcial nesse seu artigo. A sociedade, de forma geral, creio que opinava pelo julgamento de Ronaldo no STF,no entanto o processo retorna à Paraíba. O crime por ele cometido foi algo extremamente negativo para a nossa história política, no entanto, a arrogância do Min. Joaquim, externada inclusive na mídia, vai de encontro à postura de qualquer magistrado.
No afã de condenar o réu, foi feito (como ele bem gosta de falar) uma chincana processual ao não ser sonegado um recurso da defesa que antecedia a análise de mérito.
É preciso equilíbrio até mesmo quando se se propõe a desfazer uma injustiça. Não podemos divinizar capitões Nascimento ou Joaquins. Deveriam eles se inspirar na simplicidade quixotesca com que se vive a vida e se busca vencer batalhas descomunais. Senão, daí a pouco não será possível sediferenciar quem é réu e quem é juiz.

Daniel disse...

ser sonegado queria dizer...