segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Morre lentamente quem não viaja,quem não lê, quem não ouve música,quem destrói o seu amor próprio,quem não se deixa ajudar.Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,repetindo todos os dias o mesmo trajecto,quem não muda as marcas no supermercado,não arrisca vestir uma cor nova, não conversa com quem não conhece.Morre lentamente quem evita uma paixão,quem prefere o "preto no branco" e os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,justamente as que resgatam brilho nos olhos,sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorteou da chuva incessante,desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,não perguntando sobre um assunto que desconhecee não respondendo quando lhe indagam o que sabe.Evitemos a morte em doses suaves,recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.Estejamos vivos, então!

(Pablo Neruda)

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