sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Só para mulheres II

Não sei ao certo o que fiz pra passar o status de "sabe muita coisa sobre relacionamentos", mas a verdade é que muita gente me pergunta qual atitude tomar diante de impasses amorosos.
Eu realmente não sou nem um pouco gabaritada pra falar sobre este assunto, até porque já tive muitos altos e baixos, de sofrer como uma refugiada de guerra, e também de ser tão indiferente e fria como um iceberg.
Mas, de alguma maneira que não sei bem como explicar, nunca tive problemas em ter alguém que estivesse interessado em me conhecer mais. Não, não estou de forma alguma dizendo que a explicação é porque eu sou bonita (mentira), inteligente(mentira), ou qualquer outro adjetivo que possam me qualificar como a "última bolacha do pacote", mas acho que descobri, depois de sofrer com coração partido, o que eu tinha feito de errado e decidido mudar radicalmente.Depois dessa mudança, as coisas ficaram bem mais fáceis, e até mesmo previsíveis, o que me dá uma certa autonomia em falar, mesmo que eu não tenha nenhuma tese para comprovar.
Bom, depois de ter me ferrado há algum tempo, ao invés de ficar chorando o tempo todo (eu realmente nunca suportei a ideia de chorar por alguém que me rejeitou), eu fui fazer terapia, comprei pilhas de livros, conversei com muita gente e devorava revistas femininas. Não sei se isso tudo realmente ajudou, mas o que realmente mudou minha forma de encarar as coisas foi conversar com Luana e Virgínia, durante 1 ano inteiro de pós-graduação sobre nossas experiências amorosas. Naquelas conversas (obrigada, amigas), nós podíamos ver, com clareza, o quanto tínhamos atitudes semelhantes e não era à tôa que estávamos solteiras e sofrendo por histórias antigas mal resolvidas.
E fui percebendo que só o fato de termos um dia propício para conversarmos (tomando chocolate quente e comendo empadinha de charque), devolvíamos a nós mesmas a capacidade de nos ver de verdade, com nossos desejos, nossas expectativas, e sobretudo, percebemos o nosso valor.
Com certeza essa foi o grande divisor de águas nas nossas vidas: descobrimos que temos valor. E como temos! Não posso falar em nome das meninas, mas posso garantir que essa descoberta foi uma revolução para mim.
Comecei a não ter medo de ser eu mesma, e aposentei as máscaras que me faziam ser quem eu achava que devia ser. Comecei a estudar com um afinco muito maior, em descobrir que meu futuro dependia apenas de mim. Devorei livros de filosofia, psicologia, romances e best-sellers que sempre quis ler, mas nunca tinha tido tempo, simplesmente porque quando estava envolvida com alguém, o mundo era resumido (e reduzido) àquela pessoa. Nunca me esqueci da frase que me impulsionou nesta época: "Transforme-se no homem com quem você deseja se casar". E foi isso que eu fiz. Mas continuei usando salto e batom, e a chorar com "As Pontes de Madison".
Antes que esse post se transforme em um confessionário, o que posso dizer é que desde que comecei a me interessar muito por mim mesma, e a investir em me tornar alguém muito melhor pra mim, e não pra alguém, a qualidade da minha vida amorosa subiu muito de patamar.
Descobri que homem não suporta mulher que não se valoriza.
Muita gente diz que "não suporta joguinhos", do tipo que espera umas 4 horas pra retornar uma ligação "para bancar a difícil". Não acho que é assim. É bem diferente "bancar"a difícil e realmente ser difícil. É bem melhor retornar uma ligação depois quando realmente se tem outros afazeres, do que simplesmente se martirizar durante uma eternidade só pra parecer que não está disponível. Pior que isso é ligar antes dele, e dizer que está com saudades.
Isso não faz ninguém se apaixonar (mulheres, quem aqui gosta de homem pegajoso?). Pelo contrário, gente disponível demais cansa. Não sei bem por que homens gostam tanto de caças, jogos e troféus, mas pensar que homem não tem prazer (muito mais que nós) na arte de conquistar uma mulher é bobagem. Tudo bem, pra nós mulheres não há mal agum em abrirmos o verbo e dizer o que gostaríamos, o que estamos sentindo, etc, etc (outro detalhe: a gente não precisa falar tanto), mas homem funciona diferente. Enquanto ele não souber que você foi conquistada, ele não vai descansar. E como "fingir" que ele não a conquistou? Simplesmente não finja. Mas não se deixe conquistar fácil. Mulher que presta não é muito fácil de encontrar. E se você for uma delas, faça jus ao seu valor.
Esqueça do ditado "homem bom tá difícil", e ao invés de se submeter, mude o ditado para "mulher boa tá difícil"e se valorize. Se valorize antes, durante e depois de um relacionamento.
Antes: não faça um esforço hercúleo pra conquistar alguém ou para ter uma chance de ter um segundo ou terceiro encontro para se fazer conhecer. Homem que vale sua atenção geralmente é aquele que naturalmente se interessa em conhecer você melhor.
Sossegue o facho se ele não ligar, e nem se sinta rejeitada se isso acontecer. Na verdade, toda mulher deveria se sentir aliviada quando um cara que a beijou na noite anterior não liga no outro dia, pois ela se livrou de um mala em tempo recorde e ele mesmo se encarregou de dar o fora, o que economiza nosso tempo.
Não ligue, não fale muito sobre suas questões pessoais, não se entregue logo (em todos os sentidos). Lembre-se sobretudo do dito popular que diz que homem não pensa antes da "entrega",mas pensa depois, enquanto a mulher pensa muito bem antes e depois não pensa mais.
E se apenas desempenho sexual segurasse alguém as garotas de programa certamente estariam com muitos pretendentes a marido na fila.
Durante: Seja companheira, divertida, amorosa. O que é bem diferente de ser carente, insegura, pegajosa. Ou, ao contrário, ser dominadora, achar que o namorado é um escravo predestinado a satisfazer suas próprias vontades. Encontrar um equilíbrio é um desafio, mas eu suponho que tentar é um caminho seguro. Pelo menos, é divertido tentar abrir mão da possessividade e da carência e se descobrir livre, não dependendo de alguém para se sentir bem consigo mesma.
Depois: Se você não foi uma boa namorada, aproveite para ser a melhor ex-namorada que já existiu. Nada de rastejar por alguém que não nos ama mais, ou insistir para que o passado tenha ultratividade (termo jurídico, desculpem), ou seja, fazer com que o que existia continue a existir da mesma forma. Não adianta mudar o rumo das coisas. Se acabou, é porque já tinha terminado há mais tempo e ninguém percebeu até que o estalo soou de alguma forma. Então, mantenha a dignidade e acredite que o que vem pela frente SEMPRE é muito melhor (se há alguma frase que eu gostaria que vocês acreditassem é nessa).
Bom, já escrevi muito e tudo isso pareceu bem auto-ajuda, o que para muitos, é repulsivo.
Mas senti necessidade de escrever sobre o assunto diante de algumas dúvidas femininas típicas.
E sobre a conclusão de por quê dizer tudo isso, eu relembro aquela propaganda da L'oreal-Paris em que a Penélope Cruz diz, no final:

"Porque você vale muito!"

5 comentários:

Ana Cecília disse...

Lindaaaa!

Vc vale muitoo!!!! ;)

Poliana disse...

só ela pra conseguir unir termos jurídicos, ditos populares terminar com um slogan da L'oreal e fazer um um texto tão gostoso de ler!
;)
né que é tudo verdade?!
;)

Luana Magalle disse...

Vivianne!

Realmente você continua levando com afinco a idéia de fazer diferença na vida de tantas mulheres que sofrem pelo mesmo motivo: não se dão o devido valor!

Sei muito bem de onde veio seu status e não tenho dúvidas de que você é bem gabaritada nisso! Mas, mais do que isso, sou grata e Deus por ter te colocado em minha vida!

Beijos, amiga e obrigada sempre!

virginia disse...

o que um ano na pós não fez na vida de nós 3.
voltei da Inglaterra baby!
vamos combinar de bater nosso papo particular.
bjs

Mariana disse...

Oi,

Isso é facil falar e pensar quando a gente esta na casa dos 20 anos.

Quando você completa 30 anos "a casa cai", os homens fogem da gente.

A medida que a mulher vai envelhecendo a situaçao fica pior e o Desespero (com D maiusculo) bate.