sábado, 29 de março de 2008

Entrelinhas

Esse blog vai voltar a funcionar porque meu santo é forte, apesar da velocidade ser de 49 kb, a internet ser discada e eu ter de esperar a meia noite para escutar aquele ruído de ET, que não ouvia há tanto tempo.Tanto esforço não é apenas por causa de Dan, ou pelos e-mails e editais da vida. É também por causa do blog. Não quero vê-lo afundar. Nunca tive pretensões, mas sinto que o que escrevo aqui é como aquela garrafa jogada ao mar que contém uma mensagem que pode ser útil a algum náufrago do mundo. Sempre gostei dessa história da garrafa. Toda vez que ia à praia, procurava alguma, enquanto minha irmã catava conchas e meu irmão caçava siris. Suponho que minha busca sinalizava a minha predileção por histórias, e principalmente por aquelas que nos acordam pra dentro.

Ultimamente, as histórias que tenho escutado são mais reais e nem sempre têm final. São histórias de 'gente' mesmo. Não têm heróis ou princesas. Têm mais dores,angústias e paradoxos que nenhum conto de fadas se atreveu a incluir. Estes contos são bons enquanto somos pequenos, porque a gente acaba aprendendo a sonhar. Mas quando sonhamos com contos de fadas depois dos 15 anos, é uma tragédia. Corre-se o risco de surgirem cicatrizes emocionais, que nenhum antisséptico pode curar. Só mesmo quando há outro ser humano para nos acolher.

Tenho tantos exemplos de conversas longas e curtas que tiveram efeitos significativos -e decisivos- para o crescimento dos interlocutores que venho pensando em escrever sobre o teor dessas conversas. A cada dia me convenço de que terapias só dão certo quando enfim, começa-se a confiar no terapeuta, como um amigo. E é por isso que a terapia dura tanto tempo para surtir efeito. É porque a amizade requer tempo. A gente sempre tem que se esforçar para compreender nosso problema, aprender a viver com ele e, enfim, mudar de atitude. A amizade- que deve existir entre família,namorado,papagaio,etc- é uma maneira eficaz de investigar e chegar a um acordo com nossas reações emocionais a um problema.

Estou com esse papo psicológico por uma razão bem simples: amigas minhas me perguntam sempre sobre quem era minha psicóloga,pois precisavam de análise para assuntos emocionais. Antes de fazer o marketing de Dra. Karina (tel:3247-1622), digo que primeiro,tenho amigos. Escolha alguém em que vc confie e que goste de vc de verdade, convide para ver o mar e tomar uma água-de-côco.Se não der, chame para outra coisa.Qualquer coisa.Ou ligue. Ou mande um sinal de fumaça. Mas escolha só quem estiver disposto a lhe ouvir sem cobrar nada em troca.No mundo, tudo o que a gente quer é cultivar relações que vão muito além do toma-lá, dá-cá. Feito isso, vc não precisa falar nada. Quando nos sentimos acolhidos, só a presença já conforta. Não queira ouvir frases prontas. Queira elaborar suas próprias frases, mesmo que elas não façam tanto sentido.É assim que começamos a descobrir o que se esconde em nós.

Assuntos do coração sempre são tortuosos e difíceis de entender. Mas "ninguém disse que seria fácil".O que a gente tem que saber é que, em se tratando de sentimento, palavras são, quase sempre, desnecessárias. As entrelinhas são sempre mais importantes. O Quintana diz que um poeta é bom quando não somos nós que lemos o poema, e sim quando ele é que nos lê. Pois bem, as palavras da Clarice Lispector beiram a transparência...

"Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado:
pensava que, somando as compreensões, eu amava.
Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente.
Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil."

4 comentários:

Poliana disse...

ui...
vivi descreveu bem a importancia do escrever aki... comparando essas conversas, por assim dizer, com aquelas garrafas com mensagens dentro lançadas ao mar(que por sinal sempre procurava..e meu sonho ainda é encontrar alguma... hehe)...
=)
suas palavras são sempre oportunas e caem em cheio sempre que as leio..

=*********

deynaleao disse...

E eu depois de velha tô ficando com ciúme de Daniel e Cami...beijos.

Luana Magalle disse...

Vivi!!!!

Tão bom ler seus textos e senti-los como sendo acontecimentos diários (foram), semanais (são) e quase mensais (não precisa demorar tanto) em minha vida!

Digo sentir pq sempre tenho o prazer de sua companhia, seja pra ouvir, falar, cantar ou calar...quando resolvemos aparecer!!!
Saudades!
Beijos

Lucas Peixoto disse...

Depois que li teu blog, fiquei louco para escrever e cabei fazendo o meu. Mas entre os dois, existe uma diferença fundamental: o meu só serve a mim, o teu nos serve a todos, nos inspira nos faz refletir...
abraço