segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Caminito...


Que bom voltar ao refúgio. No meu trabalho, infelizmente, não tenho acesso ao blog e em casa,muito menos. Mas, pra ser bem clichê, o bom filho à casa torna e estou aqui. E pra ser ainda mais literal no clichê, estou voltando pra casa nos próximos dias. Não exatamente pra casa, mas pra Pernambuco, que é vizinho da Paraíba.

E todo mundo deve achar que isso é o melhor que poderia me acontecer, por causa da saudade que eu espalhava aos quatro ventos. Mas confesso que sou uma reles humana, e alguns humanos geralmente não sabem bem o que querem. Acostumam-se com o conhecido, amam o confortável, desejam o esperado. Mudar de novo, ao mesmo tempo que instiga, assusta. Fico imaginando que meu coração fica perguntando à minha mente: "-Mas o que diabos está acontecendo? Por que estou sentindo de novo um sentimento de despedida, de saudade, de amor, de perda, de alívio? O que é isso?"

Eu acho que poderia responder ao coração dizendo que isso se chama vida. Um caminho que se faz a cada dia, quando não nos cansamos com o primeiro passo. Ninguém sabe ao certo onde o caminho nos leva, mas é certo que é preciso caminhar, seguir em frente rumo ao que nascemos pra ser. Se a gente se acomoda com o que nos é conhecido e confortável, talvez o nosso destino seja a resignação de nos tornamos só uma terça parte do que verdadeiramente somos.


A filosofia budista assegura que Deus tem um caminho para cada um, permeado de felicidade, saúde, sucesso. Se insistirmos em seguir caminho diverso, jamais experimentaremos o que Ele nos reservou. Se você nasceu pra ser cantor, e teima em ser bancário, você não vai ter a vida que merece. E ninguém há de dizer "-Mas foi Deus quem quis" ou "-Esta é minha sina". Eu não acredito nisso. Acredito em destinos traçados sim, mas pelo esforço, pela coragem, pela decisão de aceitar que se nada deu certo, não há outro culpado senão nossas próprias escolhas.

Não quero dizer com isso que as mudanças não dão calafrios na espinha. E é por isso que mudamos junto com elas. Não tem preço que pague a possibilidade de mudar. E o bom é que as possibilidades existem o tempo todo, bem à nossa frente, sem que a gente perceba.


Eu só falava mal de Brasília. Achava tudo aqui estranho, a cidade, as pessoas, tudo. E tinha muitos motivos de ser feliz aqui. Amor, amigos, trabalho. Mas sempre faltava algo. Parecia que eu jamais encontraria o lugar certo de se viver, que congregasse tudo o que eu amava. Mas foi apenas surgir a possibilidade concreta de voltar para me fazer ver tudo diferente. Aliás, acabo descobrindo que é besteira fazer tantos planos, porque o essencial teima em aparecer sempre, desmascarando por completo nossas ambições fúteis. Comecei a dar mais valor às pessoas ao meu redor, a achar o céu daqui ainda mais lindo, a viver intensamente cada minuto aqui.

E por que razão a gente não faz isso o tempo todo, se a gente não tem certeza se hoje não é nossa despedida? Não sei. Acho que vou passar a vida pra descobrir. O que sei é que, pouco importa o lugar que estamos pra sermos felizes. É como disse Cybelle da frase do John Lennon:

"Eu estive em todos os lugares, mas só me encontrei em mim mesmo."

3 comentários:

Delon disse...

Tenho ouvido por aí q a adolescencia hoje em dia termina aos 40 anos de idade. Mas ao menos essa fase 2 da adolescência é bem mais instigante do que um simples prolongamento da primeira, pois após os 18 (ou 21, talvez), vem essa nova fase onde as vontades da juventude ainda não passaram, mas já temos as possibilidades da "adultez"... ou seja, temos a esplêndida chance de ter ao mesmo tempo aquele turbilhão de vontades semi-infantis e as possibilidades que só gente grande tem de decidir o que vai fazer de si e pra si!
=]
ô vida bonita!

E só pra corrigir, Pernambuco pode ser vizinho da Paraíba, mas o Rio Grande (do sul!) também é! As noções de distância mudam quando a gente cresce!

Anônimo disse...

Aeeeeeeeeee
Ela voltou!!!
"Voltei Recife/Blog/PB... foi a saudade que me trouxe pelo braço!"
Bjo
Cybelle

Herlla/Herllinha disse...

Querida!!! Acredito que sei um pouco do que sentes!!! Ou, pelo menos, penso que sei... Entretanto, o caminhar só tem graça porque nos produz algo assim: caminhos (in)finitos no In-finito do nosso ser!!! Espero encontrá-la em breve, tb estou retornando, embora não saiba por quanto tempo!!! Beijos =0)