domingo, 8 de novembro de 2009

Reciclando...

Todo mundo sabe que nós, mulheres, temos variações hormonais que conseguem nos transformar em Lady Diana a Amy Winehouse no enorme período de 28 dias. Pois bem.
No meu momento Winehouse, eu sempre procuro dar vazão à minha fúria fazendo trabalhos braçais. Talvez seja reflexo dos ensinamentos da minha filósofa pré-socrática favorita, Vovó Tina, que diz que depressão é "falta de uma lavagem de roupa". Lá vou eu procurar roupa pra lavar, mas para não me enfurecer ainda mais com cheiro de água sanitária na mão, fui arrumar meu quarto, do chão ao teto.
Enquanto eu ia jogando tudo que eu encontrava no guarda-roupa no chão, incluindo cartas, mil resumos sobre o mesmo assunto, roupas mofadas, tinta guache seca, e mais centenas de coisas que se reproduziam como coelhos, eu espirrava sem parar, suava e ainda cantava alto, e Sofia (minha gata), olhava tudo com atenção,como se indagasse: "e ainda dizem que eu que sou a irracional desta casa..."

Quando separei as caixas dos papéis, abri uma delas e me deparei com uma população de lembranças. Tudo o que me foi caro por algum tempo, estava ali, desde cartas de amigas da 6ª série a flores secas dadas por antigos amores.

E a cada cartão aberto, lá ia a testosterona embora pra dar lugar ao estrogênio, a Amy Winehouse saiu de cena e entrou a Maria do Bairro. Chorei até cansar, chorei como há muito tempo eu não chorava, e chorar pra mim sempre tem gosto de libertação. Mas dessa vez, meu choro não era triste, nem permeado de melancolia, meu choro era bom, de saber que eu tinha uma história.

E quando percebemos que, mais do que receber poemas, vivemos poesia, é encantador.
Por um momento cheguei a pensar que vivi mentiras (ou como diz o Ney Matogrosso: "jurei mentiras e sigo sozinho"), que os laços não eram eternos, e que o destino de todo mundo é mesmo partir. Chorei dessa vez com tristeza e medo de tudo cair no mesmo vazio. Mas depois que as lágrimas (e o mar e Elias) limparam a vista, pude ver com clareza o quanto cada momento é único, e não eterno. Até porque se fosse eterno, não seria único.
Tudo o que a gente vive é bonito na limitação. Do tempo, do amor, da distância. Limitado a uma fase, uma época, uma vida. Não há tristeza, e sim beleza a ser lembrada.
Quando terminei de arrumar tudo, estava exausta e com fome. Mas, de alguma maneira, me sentia mais leve e mais organizada com o rumo da vida. Hoje eu sei que o momento que eu vivo é a única coisa que me interessa. E o Herbert Vianna fez uma música linda que diz mais ou menos o que eu devia ter dito neste post:

"Eu hoje joguei tanta coisa fora
Eu vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim

O céu de ícaro tem mais poesia que o de galileu
E lendo teus bilhetes, eu penso no que fiz
Querendo ver o mais distante e sem saber voar
Desprezando as asas que você me deu
Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua

Merecia a visita não de militares,
Mas de bailarinos
E de você e eu.

Eu hoje joguei tanta coisa fora
E lendo teus bilhetes, eu penso no que fiz
Cartas e fotografias gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim."

3 comentários:

Poliana disse...

vivi sabe lidar com a saudade e a lembrança...
a minha caixinha ando preferindo deixar ela bem guardadinha

=**********

Luana Magalle disse...

Faço minhas as suas palavras, Vivi´s!

Assim é fácil, né???

hehehe
Beijos

Vivianne disse...

Poli, é sempre bom guardar as caixas até que se saiba muito bem o que de nós está guardado ali!

Lua, e as tuas caixas? ;)