quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Paraibanas x Paraibanas


Ainda estou no curso de formação do concurso e confesso que hoje minha paciência,meu ânimo, meu ritmo, minha alegria,minha disposição esgotaram-se. Apesar de estar meio doente, não me esgotei por causa da rotina, e sim pelas pessoas que tive o desprazer de conhecer aqui em Brasília. E por incrível que pareça, apesar dos brasilienses serem o povo mais esquisito (eufemismo p/ fdp,frise-se) que já vi na vida ( sabe aquela música do aprendiz que só fala: money,money,mone-y...? acho que deveria ser o hino daqui), a pessoa mais desagradável que já tive o desprazer de conhecer é, por mais irônico que possa parecer, uma paraibana.

Já me explico: ela é uma professora do curso (ah, por favor, nunca façam cursos na FGV. São os piores professores que já tive na vida. Se o curso envolver políticas públicas, gestão de pessoas, ESTATÍSTICA, por favor,fujam correndo!) e começou a ensinar(????????x 99) métodos quantitativos, a começar pela parte de estatística.

Eu, como uma boa aluna da Faculdade de Direito, sou uma ameba completa em cálculos e fórmulas. E nessa aula, como não poderia deixar de ser, eu simplesmente não entendi bulhufas do que a digníssima senhora dizia. A única coisa que eu entendia era o sotaque dela, e confesso que, num primeiro momento, até pensei que as origens de alguém determinam muitas de suas características. Meus colegas de curso já se animavam em conhecer a Paraíba por tanta coisa que eu sempre falo, até chegar a bruxa paraibana e acabar com toda a fama do meu estado querido em ter gente acolhedora e simpática como um de seus patrimônios culturais.

Pois bem. A minha digníssima conterrânea começou a falar besteira. Muitos dos alunos da turma são matemáticos, engenheiros, contadores e começaram a notar que a mulher não sabia de nada. Ela começou a ficar tão insegura, mas tão insegura, que engolia as palavras com rapidez para que não houvesse tempo hábil para alguém formular uma pergunta.

Eu, com a minha boca e coragem grandes, só consegui dizer: "Professora, não estou entendendo nada do que a senhora está falando."

Ela soltou os cachorros. Disse que, se eu não estava entendendo, o "azar era meu"e que eu pedisse minha exoneração antes mesmo da posse. Pra quem me conhece, sabe até que esta é a hora da risada irônica que antecede minhas respostas. Claro que respondi. Respondi sem brigar (muito), e o clima depois ficou aquele de "assistindo aula com o inimigo". Para quem, até uns 15 dias atrás, estava respondendo perguntas como professora, me senti frustrada ao não receber respostas como aluna. Mas, confesso que depois da discussão, o meu lado mulherzinha pediu pra ir ao banheiro e lá chegando, desatei a chorar (nunca na frente da pessoa, claro!).

Senti falta de colo de mãe, de cheiro de pai, de comida de vó, de abraço de irmã, de risada de sobrinho, de ombro de amigo. Senti falta de tudo, assim, ao mesmo tempo, sem distinguir muito bem o que era carência, o que era saudade, ou ecos de infância que teimavam em aparecer, sem escudos ou sombras. Me permiti chorar como um dia chorei, agachada no altar da capela da escola, me escondendo do provável castigo por ter tirado 5,5 em matemática( sempre a matemática...).

Mas ainda bem que o lado bom das coisas sempre aparece e Deus consola a gente através de um telefonema de namorado, de uma conversa de amigo, de um banho quente, de uma respiração profunda. Não há muito como fugir dos embates que aparecem na vida. Acabei pondo na cabeça que a mulher é mal-amada,insegura e frígida. Colocando a figura no rol do povo café-com-leite, fiquei até com pena dela. E acabei perdoando a mágoa que ela tinha me causado. Perdoei, sim.
Mas ela continua sendo uma bruxa.

6 comentários:

Luana Magalle disse...

Eita, Vivis!

Sempre acontecendo coisas pra a gente colocar mais os pés no chão, quando eles ficam teimando em voar...!

Mas confio em vc, apesar de saber que vc nunca faz os cálculos direito (os trocos que o digam) ... hehehe

Saudades!
Beijos.

Poliana disse...

eita eita...
deixa a saudade pra te fortalecer!
e permita que ela aperte qd vc entrar no avião, qd vier fazer visitas a terrinha de gente acolhedora (siiim!!)
Força força... que os paraibanos de bom coração torcem por ti! E os brasilienses foram conquistados por vc, e n assustados pela.. "bruxa"
^^

Mari disse...

relaxa amiga, isso eh so o comeco, depois piora kkkkkkkkkkk
isso chama-se vida adulta, sja bem vinda ao clube! :D quando eu for ai eu te conto pessoalmente os poucos e bocados que passei. Voce noa sabe matematica, e eu que nem sabia falar??!! foi foda, mas sempre existe o melhor momento de dar a volta por cima, e esse momento chega da forma mais gostosa. espera que ele vem :D se cuida e deixa de ser chorona. bjos

deynaleao disse...

Não se preocupe, amiga. Você será sempre um exemplo fidedigno do que o povo paraibano é. E a sua garra, determinação, coragem e simpatia, vão conquistar as pessoas na capital federal. Força e paciência! Te amo. ;)

Fabiano Araujo disse...

Pois é, Viviane...

Interessante esse fato... Pois o que mais sentio aqui em Brasília foi a forma acolhedora como todos me aceitaram aqui, desde nossos amigos em comum até pessoas de longe que acabam se tornando meus amigos...

Esse texto evidenciou esse lado forte seu, viu.. Muito bacana...

Também tenho isso como lema, nunca demonstrar fraqueza para os outros...

Sobre a saudade, nada que um bom choro não resolva... Reconheço isso de Público... Depois dos choros de uns dois sábados à tarde regados à solidão, acaba-se acostumando...

Bjs. Gostei muito do site, viu.

PSICO_SINCRONICIDADE disse...

Vivi, vc é guerreira, não desista...lute! e claro q vc iria encontrar figuras pelo seu caminho pra vc driblar... vc é capaz....e tem LUZ própria (lembras q sempre t dizia isso??)
bjos enorme com saudades.... vc tem um lugar especial no "meu sofá" (rsrsrs) no meu coração
Bjos Dra. Karina