quarta-feira, 22 de maio de 2013

Oração da Meia-Noite

Deus me proteja.
Me proteja de mim, porque sou muito forte quando quero me derrubar e muito fraca para me resgatar;
Me guarde dos meus erros, de tudo que em mim não vale a pena e que tantas vezes deixo me dominar;
Que os santos me protejam da minha loucura, e me dêem a sanidade necessária para viver uma vida interior rica, porém simples;
Que Deus me afaste de querer falar o que penso sem me importar com os sentimentos dos outros, como se eu fosse a porta-voz da verdade absoluta;
Que Deus me proteja da minha língua, dos meus pensamentos repetitivos, destrutivos, mesquinhos e egoístas;
Que eu seja protegida da minha vaidade, do meu orgulho, daquela parte de nós que acha, equivocadamente, que somos um modelo para alguma coisa, qualquer que seja ela;
Que o Senhor me blinde contra meus argumentos tão bem construídos que me deixam triste ou me fazem reclamar da vida. Que eu possa reclamar menos e que eu tenha paciência com quem reclama de tudo;
Que eu possa falar menos, ouvir mais, desejar menos sem que isso seja sinônimo de acomodação ou covardia;
Que Deus me proteja da maldade humana e que a minha própria parcela de maldade atinja apenas a mim e a mais ninguém;
Que Deus ao contrário, multiplique a bondade e que eu possa distribuí-la a partir de mim;
Que as pessoas possam escolher ser melhores do que são. E que essa decisão seja sentida pelo amor ao próximo que distribuem, pela tolerância, pela sensibilidade e caridade com o outro. E que eu sempre decida ser um pouco melhor a cada dia, sabendo efetivamente o sentido de "ser melhor";
Que Deus me faça chegar ao destino certo, mesmo que eu tenha pego a estrada errada, pois o que vale é ter caminhado;
Que Ele me faça me levantar do meu conforto e tentar chegar a algum lugar, que a minha preguiça não se disfarce e nem me convença de que eu já conquistei o suficiente;
Que eu possa rir de mim mesma, e ter compaixão com os meus erros;
Que Ele me compreenda mais do que eu o compreendo;
Que me ame, apesar de tudo;
E que eu possa sentir esse amor divino todos os dias através de uma pessoa ou situação real;
Que Ele possa se comunicar comigo pela minha intuição, percepção, sonho, conselho ou estrelas;
Que Deus me proteja da minha falta de fé, mas sempre me faça acreditar na vida antes da morte,
Amém.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Desculpem a ausência, prometo voltar em breve! Assim que o pequeno completar 3 meses, prometo respirar! :*


"Ele é o nó no meu cabelo.
O esmalte descascado na minha unha,
as olheiras no meu rosto.
Ele é o brinquedo na gaveta de roupas,
o amassado nas páginas do meu livro,
o rasgado no meu caderno de anotações.
Ele é o melado no controle remoto,
o canal de televisão,
o filme no DVD.
Ele é o farelo no sofá,
As tesouras no alto.
Ele é o backup no computador,
o mouse escondido,
as cadeiras longe da janela.
Ele é a marca de mão nos móveis,
o embaçado nos vidros,
o desfiado nos tecidos.
Ele é o ventilador desligado,
a porta do banheiro fechada,
a gaveta da cômoda aberta.
Ele é o coque na minha cabeça,
o amarrotado nas roupas,
as frutas fora da fruteira,
os panos de prato amarrando os armários.
Ele é o meu shampoo cheio de água,
a espuma no chão do banheiro,
o brinquedo dentro da privada.
Ele é o interruptor nas tomadas.
Ele é o peixe no aquário,
a árvore de natal,
os "pisca-pisca" de todas as casas.
Ele é o círculo, o susto....
A primeira visão da lua no começo da noite....

O valor do trabalho, a vontade de aprender,
a minha força,
a minha fraqueza,
a minha riqueza.
Ele é o aperto no meu peito diante de uma escada,
a ausência de sono diante de uma febre.
Ele é o meu impulso, o meu reflexo, a minha velocidade.
O cheirinho no meu travesseiro,
o barulho,
a metade,
o azul.
Ele é o vazio triste no silêncio de dormir,
o meu sono leve durante a noite.
Ele é o meu ouvido aguçado enquanto durmo.
A minha pressa de levantar da cama,
a minha espera de bom dia.
Ele é o arrepio quando me chama,
a paz quando me abraça,
a emoção quando me olha.
Ele é meu cuidado, a minha fé,
o meu interesse pela vida,
a minha admiração pelas crianças,
o meu respeito pelas pessoas,
o meu amor por Deus.
É o meu ontem,
o meu hoje,
o meu amanhã.
Ele é a vontade,
a inspiração,
a poesia.
A lição, o dever.
Ele é a presença, a surpresa
a esperança.

A minha dedicação.
A minha oração.
A minha gratidão.
O meu amor mais puro e bonito.
A minha vida!" (autor desconhecido)


segunda-feira, 1 de abril de 2013

Uma rede na varanda

Ufa! Depois de mais de 40 dias de parto, hoje é o primeiro dia em que observo a casa em silêncio. Levi está dormindo, meu marido viajando, minha ajudante de folga, minha mãe em uma reunião, minha gata contemplando o luar. Estou "sozinha" e resolvi escrever aqui depois de ter me situado no novo lugar em que me encontro hoje: o de mãe.

Confesso que meu parto, como já contei no post anterior, foi traumático e bem difícil. Talvez por isso eu tenha saído da maternidade assustada e com medo de qualquer coisa que eu pudesse fazer. Na minha cabeça, eu tinha feito alguma coisa muito errada na gravidez para ter perdido líquido amniótico e ter gerado toda aquela confusão, e tive medo de fazer lambança de novo. Quando cheguei em casa, eu não sabia o que fazer. Não apenas o que fazer diante do choro de um bebê, mas eu não sabia fazer absolutamente nada com a minha própria vida. É desafiador e arriscado dizer isso, mas me senti completamente sem chão e sem rumo diante daquele cenário que a mim se apresentava sem rodeios. Todo o panorama me exigia postura, segurança e equilíbrio, e tudo o que tinha restado de mim após o parto era exatamente o contrário desses sentimentos. Me arrependi de ter me metido naquilo, tive a certeza de que eu não havia nascido para ser mãe a cada choro desesperado de Levi, e tive vontade de correr pelada no meio da rua, de me internar numa clínica psiquiátrica, tive vontade de sumir. Enfim, eu tive a certeza absoluta de que eu não ia dar conta de nada daquilo. 

Achava que eu era a  única louca-psicótica-depressiva que não se sentia feliz por ser mãe, por achar muuuuito, mas muito difícil mesmo amamentar, que não estava no estado pleno de felicidade que todas diziam sentir após gerar um filho. A cada vez que eu sentia essa tristeza, eu chorava, chorava e chorava, sem entender o porquê de eu ter desejado um filho desde a minha infância e não estar feliz com ele nos braços. Me sentia culpada e com vergonha de falar isso para qualquer pessoa. Até que eu não aguentei e decidi pedir ajuda. Comecei a me confessar perante todas as mulheres que eu conhecia e sabe qual foi minha surpresa? Todas diziam que sentiram a mesma coisa...como assim, mesma coisa? "Vc também teve vontade de pular do prédio?" "Sim", "Sim", e "Sim". Eu não acreditava que, mesmo as mulheres 'normais' que não são loucas como eu, também tiveram seus momentos de tristeza, de desespero e de falta de esperança logo após gerar um filho. Ninguém havia me dito nada antes. Todos diziam apenas que ser mãe era maravilhoso, que amavam o filho mais do que tudo, que era uma felicidade só. O pouco que diziam de negativo era de que nunca mais iríamos dormir, e só. 

Ninguém me falou do outro lado da história. Que além de não dormir, a gente não iria mais comer, tomar banho, ir ao banheiro, escovar os dentes, o cabelo. Que a gente ia precisar de muita ajuda para que o bebê pegasse o seio corretamente, e que quando ele finalmente o fizesse, a dor seria quase insuportável. Eu, no meu mundo cor-de-rosa (aliás, azul), achava que ia amamentar livremente e sempre, até muito mais que os seis meses, porque sempre gostei de uma coisa natureba e achava que tudo seria "naturalmente" fácil. Tudo foi "naturalmente" difícil! Meu filho não tinha forças de sugar o seio, meu leite era abundante e meus seios "empedraram"; quando ele aprendeu a sugar, meu leite secou; quando meu leite voltou, ele começou a ter refluxo e a chorar para não mamar; quando pensei que o problema era só o refluxo, descobri um sopro no coração; quando me desesperei pensando que ele não iria jogar futebol, descobri que muitos bebês tem sopro e que isso era comum e não lhe traria prejuízo; que havia horas em que ele chorava e eu não entendia nada do que ele queria; que na maior parte do tempo eu me sentia esgotada e sem forças... Os primeiros quinze dias para mim foram simplesmente devastadores. Além de todas as dificuldades, adquiri uma "síndrome do músculo piriforme" que não me deixava andar por um período do dia ou da noite (ainda hoje tenho as crises mais agudas, mas estou me tratando). Eu me sentia o cocô do cavalo do bandido, me sentia a pior mãe do mundo.

Mas os dias foram passando, e o "blues puerperal" também. O primeiro mês como mãe passou. E com ele o medo foi dando lugar à esperança, a angústia foi perdendo espaço para a respiração, e fui começando a "tomar pé" no meu novo lugar. Não sei explicar como aconteceu uma mudança, mas lentamente tudo foi se encaixando. Talvez os hormônios tenham voltado ao lugar, ou o remédio homeopático que estou tomando ou a acupuntura para a dor no quadril tenha ajudado, ou quem sabe, talvez seja porque Levi a cada dia está mais lindo, mas o fato é que nessas últimas semanas tenho sentido um amor pelo meu filho que não cabe em mim. Todo dia olho para os olhinhos dele e fico me perguntando como eu pude gerar um ser tão perfeito e tão gracioso, como Deus pôde ter me presenteado com um filho...um filho! Uma continuação de mim, do pai dele, a concretização do amor que sentimos um pelo outro...não sei explicar e se soubesse, não conseguiria definir com palavras. O que sei é que hoje eu realmente entendo porque ninguém me disse que tudo seria tão desesperador no começo (e como continua sendo tantas vezes) : simplesmente a gente esquece do tamanho da dificuldade ao perceber a graça que é gerar um ser e vê-lo crescer. Nunca, em toda minha vida, me senti tão feliz e tão realizada. Não imaginava que pudesse ser assim, tão bonito que chega a doer. É claro que tudo ainda é novo, cansativo, e ainda não durmo nem faço outra coisa que não seja cuidar dele. Mas, por mais contraditório que seja, é um cansaço que me restaura. Parece resgatar tudo o que é bom em mim. 

Hoje, mais uma vez balançando Levi na rede, comecei a cantar aquela música "Eu queria ter na vida simplesmente um lugar de mato verde, pra plantar e pra colher...ter uma casinha branca de varanda, um quintal e uma janela só pra ver o sol nascer...". Aí prestei atenção na letra da música, e mudei a  composição...Comecei a cantar: "Eu só quis ter na vida simplesmente um lugar como esse, pra amar e pra viver...ter uma redinha branca na varanda, um marido e um filhote, só pra ver o amor crescer..." olhei pro céu e agradeci emocionada a Deus por estar vivendo aquele momento. Senti como se a felicidade estivesse ali, em pé, nos embalando. Olhei para o meu filho e ele sorriu pra mim. Sorri de volta e de repente, o mundo começou a fazer sentido. ;)