
Fiquei orgulhosa de mim hoje. Aprendi, sem alarde, a não repetir mais os mesmos erros, e consegui fazer diferente. Consegui, em meio a mais uma turbulência na vida, a respirar e dizer: "vamos em frente". A angústia, ansiedade e medo, esses três irmãos infelizes, não conseguiram me acelerar em ritmo descompassado. Porque chega um grande dia em que você descobre que tem um imenso poder nas mãos. O poder de decidir o jeito mais ameno e mais calmo de lidar com as coisas, porque definitivamente, nada é eterno, tudo se esvai sem que possamos deter. Não adianta tentar encaixar à força o que não nos cabe. Aprendemos essa lição de maneira tão clara que chega a se confundir com insensibilidade.Mas não é. É sensibilidade além do usual. É saber que a vida se desenrola em ciclos, e através das marcas que cada início ou cada fim nos deixa, podemos ver com clareza a diferença entre as duas coisas.
Antes, por imaturidade, ou até mesmo falta de poesia em ver a beleza por trás dos tempos, escapamos de ser melhores, ou deixamos que aquela centelha de felicidade nos fuja. Hoje, não. Hoje tenho a obrigação de olhar além, de saber que nenhum desespero ou apego exagerado é bom, porque aprendemos que tudo na verdade, está onde deveria mesmo estar, como se tivesse sido milimetricamente planejado, mesmo que achemos que nossas dúvidas desviaram o rumo das coisas. Não.
Nunca acreditei no determinismo do futuro e do destino, mas acabo aceitando, placidamente, que a espera é algo que sempre nos traz boas e felizes surpresas. E cá, pra nós, é como se tudo tivesse sido planejado mesmo. Mas só as coisas boas. Porque eu realmente não acredito no Deus do castigo que leva os bons antes da hora. Isso sim, é acaso. Acredito que temos um caminho de retorno, em busca do que nós verdadeiramente somos, e que, por descuido, perdemos. Com o tempo, o precioso tempo, vamos nos reconhecendo nos lugares que nos deixamos, e que sempre foram nossos, ainda que nunca tivéssemos ido até lá. Vamos nos descobrindo naqueles jardins secretos, na música que fala ao coração, no poema nunca lido, no sentimento desconhecido. E eu não me canso dessa busca.
"Deus nos dá pessoas e coisas, para aprendermos a alegria...
Depois, retoma coisas e pessoas para ver se já somos capazes da alegria sozinhos...
Essa... a alegria que ele quer."
(J.Guimarães Rosa )
p.s: Por falar em Guimarães Rosa, soube hoje, na Tv Senado, que quando ele era cônsul do Brasil na Alemanha, em plena 2ª Guerra Mundial, acordou de súbito em uma noite, com uma vontade desesperada de fumar. Vestiu o casaco e foi até um bar que ficava aberto até tarde e comprou um maço de cigarros. Quando voltou, seu prédio tinha sido bombardeado. O cigarro, literalmente, salvou sua vida...