Eu ainda nem tinha escrito aqui sobre minha recepção da viagem. Todo mundo aterrorizado, ninguém apertando minha mão, gente que impediu minha irmã de se aproximar das pessoas, professor que não deixou minha mãe fazer hidroginástica. Tudo por causa de uma mídia maldita que escolhe aterrorizar pessoas só por causa de um lote de mexicanos gripados espirrando. Em Nova York não se via nada disso, na TV só passava casos de crianças desaparecidas, com apresentadores do tipo "Datena". Acho uma grande besteira essa histeria toda em torno de uma gripe, para desespero dos crédulos-hipocondríacos de plantão. O que eu realmente gostaria que fosse classificada como "pandemia" é a fome, a Aids infectando a África e o mundo, e tantas outras calamidades que já caíram no "costume". A televisão é um quarto poder tão sórdido que me revolta saber que o Nordeste, pobre como sempre, não recebe 1/5 das doações que um estado tão rico e tão menos afetado como Santa Catarina recebeu quando vítima das enchentes. Também me revolta não ver as mães dos meninos assassinados por um deputado bandido terem qualquer espaço na tela para denunciar a sordidez do caso. Mas, como a TV é fomentadora da apatia, muita gente deve dizer:"é assim mesmo" e continuar sentada no sofá. Sei que não me aproximo do chinelo do Che ou da Olga, mas ainda encaro o desligar a tv como um gesto revolucionário. E como o próprio Ernesto Guevara já dizia : "se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros."
segunda-feira, 25 de maio de 2009
domingo, 24 de maio de 2009
O poema "Versos" da Cecília Meireles, é um dos meus prediletos. Mas nunca ele me pareceu tão simples de entender e tão profundo, certeiro. E eu acabo descobrindo que a poesia cura.
"Permita que eu feche os meus olhos, pois é muito longe e tão tarde!
"Permita que eu feche os meus olhos, pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora, e cantando pus-me a esperar-te.
Permita que agora emudeça: que me conforme em ser sozinho.
Há uma doce luz no silêncio, e a dor é de origem divina.
Permita que eu volte o meu rosto para um céu maior que este mundo, e aprenda a ser dócil no sonho como as estrelas no seu rumo.
Temos um medo:
Acabar.
Não vês que acabamos todo o dia.
Que morremos no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Na dúvida.
No desejo.
Que nos renovamos todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que somos sempre outro.
Que somos sempre o mesmo.
Que morreremos por idades imensas.
Até não termos medo de morrer.
E então seremos eternos”
sábado, 23 de maio de 2009
Em dias de TPM, me sinto a pessoa mais sozinha do mundo. Chorando e sem ter ninguém do lado, perguntei a Deus baixinho se era verdade que Ele estava perto, porque minha solidão ecoava, dominante, pelo quarto. Descrédula, adormeci. Até que lá pelas 3h30 da manhã, em que se escutava apenas o barulho da chuva, algo se enroscou nos meus pés, e um toque áspero começou a tentar dizer: "você não está só". Era minha gata, Sofia, lambendo meu dedão e tentando ser carinhosa comigo, o que, para quem conhece felinos, sabe que não é muito usual. Dormimos pouco, mas suficiente para nos fazer esquecer a noite e esperar pelo dia. Sorri com aquela cena, mais que isso,com aquele vestígio deixado por Ele, como pista para que o desejo de procurá-lo não terminasse... e acordei lembrando de uma frase que Fábio de Melo certa vez citou, atribuída ao místico São João da Cruz:" O que podemos conhecer de Deus são as pegadas da sua ausência."
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