Como é bom voltar pra casa. Como é bom quando o coração coloca as malas de lado, tira os sapatos e anda descalço e de roupa de mendigo por aí, sem precisar explicar muito e nem falar demais. Tem horas em que tudo o que a gente precisa é não ter a obrigação de falar nada. E mesmo assim, se sentir infinitamente ouvido. Como é bom ter alguém assim, como essas minhas mães, do lado. Eu chego na casa delas e só pelo sorriso e pelo abraço já sinto como se elas dissessem no pé-do-ouvido:"Que bom que vc está aqui!". Aí vou tomar banho e está lá, o banheiro todo arrumadinho, com um sabonete novo pra mim. Isso me faz ter a certeza de que são os pequenos gestos que nos fazem nos sentir verdadeiramente amados. Amados como somos, sem precisar agradar, sem precisar de poses e de piadas, sem precisar que a gente tente parecer o mais legal possível. Amados como a gente é de verdade. Um abuso ou um doce, mas como a gente é.Eu não sei se vc tem uma Vovó Tina ou uma irmã-mãe Marília na vida,além de uma mãe de verdade como a minha. Mas todos deveriam ter ao menos uma. Todos deveriam ter alguém que faz a comida que vc mais gosta, só pra ver vc feliz. Ontem foi aniversário dela. Eu dei 2 canequinhas de presente, pra gente tomar leite com nescau, quentinho, depois da novela. E assim aconteceu. E essas cenas me fazem a pessoa mais realizada do mundo. Assim mesmo...só com as duas canequinhas. ;)
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
O mundo de Leland...

Ontem assisti 'O mundo de Leland' (dica incrível do André) e até agora me sinto meio fora de órbita. Geralmente os filmes mexem comigo de uma forma que preciso de uns 30 minutos depois do final para me recompor.
Mas,o Leland ainda não me saiu da cabeça. Tudo bem, é um filme típico da sociedade americana, que por vezes busca justificar atos extremos de seus adolescentes problemáticos, mas vi no filme uma sensibilidade que me tocou de uma forma assustadora. Chorei a noite inteira copiosamente e,por favor, não me perguntem por quê. Talvez seja a maldita TPM que me afoga em lágrimas, não sei. O que posso afirmar é que não é choro de tristeza, nem de alegria, nem de sentimentos que têm nome. Acho que foi a forma que meus olhos deram para me chamar atenção para outra forma de ver as coisas. Parece que essas lágrimas são sinônimos de confetes de alegria por, enfim, esses meus olhos castanhos, tão acostumados às mesmas visões, conseguirem enxergar o essencial (embora segundo Exupérry, 'o essencial seja invisível aos olhos'...).
Acordei meio atordoada com o filme e como de costume, agi de impulso, e , sem alarde, peguei um ônibus para a casa da mina avó, que fica a 130km da minha casa.
No caminho, um homem fez um discurso para vender jujubas. Seria uma cena cotidiana se não fossem suas palavras e o meu terceiro olho vendo além. Ele dizia :
"Apesar de ninguém me olhar, peço 1 min da atenção, porque do mesmo jeito de vcs, eu também tenho vergonha.Mas esse é o único jeito de fazer meus filhos continuarem na escola."
Aquele homem percebeu que ninguém o olhava. E isso é mais comum do que ele pensa... enquanto eu pensava nisso, olhava pra ele com os olhos marejados,na tentativa de fazê-lo acreditar que não estava só.Não lembro literalmente, mas o Leland disse no filme:
"Há duas maneiras de ver a tristeza. Uma é enxergando-a em todos os lugares. A outra é fingindo que ela não existe e ignorando-a nos outros."
Eu estava tão envergonhada de estar chorando que mal consegui perguntar o preço da jujuba. E eu só tinha R$0,25 e o seu custo era de R$0,50. Falei: "Não precisa da jujuba.É só para lhe ajudar mesmo." Qual não foi minha surpresa ao receber o doce e ouvir sua réplica:
"Não precisa da moeda. A jujuba é o pagamento por você ter sido a única a olhar pra mim. Obrigado". E ele se foi.
São essas pequenas frases que marcam toda uma existência. E a minha, confesso, jamais será a mesma. Não só por esse acontecimento carregado de significado, mas sobretudo por notar que Deus viajava comigo o tempo todo, ali do lado, me dando pequenas lições de vida.
Mas eu continuava sentindo a tristeza latente ao meu redor, e à medida que o ônibus chegava na rodoviária, eu já não me importava de pingar as gotas de colírio para disfarçar as lágrimas. A desesperança tomava conta e eu ficava perguntando a Deus porque afinal, ele não decreta o fim do livre arbítrio, que faz as pessoas sofrerem com os atos de outras, numa cadeia indefinida de acontecimentos, e baixa logo um ato intitucional obrigando a humanindade a ser melhor,mais feliz.
Mas, de súbito, as minhas lágrimas me fazem olhar pra baixo. E eis que o improvável acontece: no meu pé, encontro um terço de dedo (aqueles pequenininhos) com uma imagem de N.Sra. Aparecida. Chorei mais do que nunca, mas sorrindo.
Resposta melhor Ele não poderia ter me dado. Se eu não tivesse triste, as lágrimas não escorreriam, eu não teria olhado para baixo e a esperança não haveria de estar ao meu alcance...
terça-feira, 28 de agosto de 2007
Coração de Gelo?

Engraçado como nós mulheres, apesar de todos os signos e ascendentes, cores e tons diferentes de cabelo, personalidades contraditórias, passionais, intrigantes, mulheres loucas, santas, negras, brancas, mamelucas (sempre adorei essa palavra bonitinha), tão diferentes umas das outras, mas no fundo, tão parecidas. A gente pode gritar por independência (ou morte!) , pode proclamar aos quatro ventos que é descolada, segura de si, que é muitíssimo bem resolvida, mas a verdade é que nós ainda precisamos evoluir um bocado em relação à nossa área afetiva. E digo isso sem medo de errar, porque mesmo para as mais desapegadas, ainda existem aqueles pequenos apegos que nos tiram do sério, do tipo não esperar "aquele" telefonema, mas também não desgrudar do telefone...Se sentir bem quando chega aquelas mensagenzinhas lindas antes de dormir, mas se no outro dia ela não chega, já é aquele drama. Se ele nos diz que pensa em nós o dia inteiro, temos certeza de que ele é um don-juan de meia tigela, mas se ele não nos diz isso ou nos diz depois de perguntarmos (pergunta ridícula: Pensou em mim?...), ficamos com a impressão de que ele não está nem aí. Aí, para descontar, "também vou ficar nem aí " e o cara não entende nada. É uma confusão só.
Por isso que quando uma mulher não está apaixonada, depois de um tempo de sofrimento ou de lamúrias por um fim de caso qualquer (outros nem tanto), quando ela enfim, resolve tomar as rédeas da sua vida, fica aquela sensação de medo quando algum cara legal nos convida para sair. Não porque tenhamos medo do coitado, mas é aquele medo infeliz de se apaixonar, de se envolver, de começar toda aquela rotina estafante que só nós mulheres temos: de ver as msgs antigas, de ficar pensando no indivíduo no meio do capítulo de Processo Civil, de reprisar todos os momentos em que o friozinho maldito instalou-se na nossa pobre barriga.
Por isso eu sempre digo que é perigoso se apaixonar, e tenho fugido disso como o pobre diabo foge da cruz. Não quero virar mulherzinha de novo. Quer dizer...se é que eu deixei de ser. ;)
Deve ser tão bom ser homem, poder ter uma paixão avassaladora por uma mulher, e continuar sua vida normalmente, tomar um chopp com uns amigos e se virar para olhar os derriéres que passam à tôa ...(eu nunca entendi como eles podem se dedicar com muito mais afinco ao trabalho quando levam um fora, enquanto nós largamos tudo e falamos aquela famosa frase: "não consigo fazer mais nada, só penso nisso...") . É, mulherzinha, temos muito o que aprender com estes seres tão mais simples, e talvez por isso é que as pesquisas ainda apontam que eles ganham mais dinheiro que nós. Eles merecem, oras. :)
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