quarta-feira, 1 de maio de 2013

Desculpem a ausência, prometo voltar em breve! Assim que o pequeno completar 3 meses, prometo respirar! :*


"Ele é o nó no meu cabelo.
O esmalte descascado na minha unha,
as olheiras no meu rosto.
Ele é o brinquedo na gaveta de roupas,
o amassado nas páginas do meu livro,
o rasgado no meu caderno de anotações.
Ele é o melado no controle remoto,
o canal de televisão,
o filme no DVD.
Ele é o farelo no sofá,
As tesouras no alto.
Ele é o backup no computador,
o mouse escondido,
as cadeiras longe da janela.
Ele é a marca de mão nos móveis,
o embaçado nos vidros,
o desfiado nos tecidos.
Ele é o ventilador desligado,
a porta do banheiro fechada,
a gaveta da cômoda aberta.
Ele é o coque na minha cabeça,
o amarrotado nas roupas,
as frutas fora da fruteira,
os panos de prato amarrando os armários.
Ele é o meu shampoo cheio de água,
a espuma no chão do banheiro,
o brinquedo dentro da privada.
Ele é o interruptor nas tomadas.
Ele é o peixe no aquário,
a árvore de natal,
os "pisca-pisca" de todas as casas.
Ele é o círculo, o susto....
A primeira visão da lua no começo da noite....

O valor do trabalho, a vontade de aprender,
a minha força,
a minha fraqueza,
a minha riqueza.
Ele é o aperto no meu peito diante de uma escada,
a ausência de sono diante de uma febre.
Ele é o meu impulso, o meu reflexo, a minha velocidade.
O cheirinho no meu travesseiro,
o barulho,
a metade,
o azul.
Ele é o vazio triste no silêncio de dormir,
o meu sono leve durante a noite.
Ele é o meu ouvido aguçado enquanto durmo.
A minha pressa de levantar da cama,
a minha espera de bom dia.
Ele é o arrepio quando me chama,
a paz quando me abraça,
a emoção quando me olha.
Ele é meu cuidado, a minha fé,
o meu interesse pela vida,
a minha admiração pelas crianças,
o meu respeito pelas pessoas,
o meu amor por Deus.
É o meu ontem,
o meu hoje,
o meu amanhã.
Ele é a vontade,
a inspiração,
a poesia.
A lição, o dever.
Ele é a presença, a surpresa
a esperança.

A minha dedicação.
A minha oração.
A minha gratidão.
O meu amor mais puro e bonito.
A minha vida!" (autor desconhecido)


segunda-feira, 1 de abril de 2013

Uma rede na varanda

Ufa! Depois de mais de 40 dias de parto, hoje é o primeiro dia em que observo a casa em silêncio. Levi está dormindo, meu marido viajando, minha ajudante de folga, minha mãe em uma reunião, minha gata contemplando o luar. Estou "sozinha" e resolvi escrever aqui depois de ter me situado no novo lugar em que me encontro hoje: o de mãe.

Confesso que meu parto, como já contei no post anterior, foi traumático e bem difícil. Talvez por isso eu tenha saído da maternidade assustada e com medo de qualquer coisa que eu pudesse fazer. Na minha cabeça, eu tinha feito alguma coisa muito errada na gravidez para ter perdido líquido amniótico e ter gerado toda aquela confusão, e tive medo de fazer lambança de novo. Quando cheguei em casa, eu não sabia o que fazer. Não apenas o que fazer diante do choro de um bebê, mas eu não sabia fazer absolutamente nada com a minha própria vida. É desafiador e arriscado dizer isso, mas me senti completamente sem chão e sem rumo diante daquele cenário que a mim se apresentava sem rodeios. Todo o panorama me exigia postura, segurança e equilíbrio, e tudo o que tinha restado de mim após o parto era exatamente o contrário desses sentimentos. Me arrependi de ter me metido naquilo, tive a certeza de que eu não havia nascido para ser mãe a cada choro desesperado de Levi, e tive vontade de correr pelada no meio da rua, de me internar numa clínica psiquiátrica, tive vontade de sumir. Enfim, eu tive a certeza absoluta de que eu não ia dar conta de nada daquilo. 

Achava que eu era a  única louca-psicótica-depressiva que não se sentia feliz por ser mãe, por achar muuuuito, mas muito difícil mesmo amamentar, que não estava no estado pleno de felicidade que todas diziam sentir após gerar um filho. A cada vez que eu sentia essa tristeza, eu chorava, chorava e chorava, sem entender o porquê de eu ter desejado um filho desde a minha infância e não estar feliz com ele nos braços. Me sentia culpada e com vergonha de falar isso para qualquer pessoa. Até que eu não aguentei e decidi pedir ajuda. Comecei a me confessar perante todas as mulheres que eu conhecia e sabe qual foi minha surpresa? Todas diziam que sentiram a mesma coisa...como assim, mesma coisa? "Vc também teve vontade de pular do prédio?" "Sim", "Sim", e "Sim". Eu não acreditava que, mesmo as mulheres 'normais' que não são loucas como eu, também tiveram seus momentos de tristeza, de desespero e de falta de esperança logo após gerar um filho. Ninguém havia me dito nada antes. Todos diziam apenas que ser mãe era maravilhoso, que amavam o filho mais do que tudo, que era uma felicidade só. O pouco que diziam de negativo era de que nunca mais iríamos dormir, e só. 

Ninguém me falou do outro lado da história. Que além de não dormir, a gente não iria mais comer, tomar banho, ir ao banheiro, escovar os dentes, o cabelo. Que a gente ia precisar de muita ajuda para que o bebê pegasse o seio corretamente, e que quando ele finalmente o fizesse, a dor seria quase insuportável. Eu, no meu mundo cor-de-rosa (aliás, azul), achava que ia amamentar livremente e sempre, até muito mais que os seis meses, porque sempre gostei de uma coisa natureba e achava que tudo seria "naturalmente" fácil. Tudo foi "naturalmente" difícil! Meu filho não tinha forças de sugar o seio, meu leite era abundante e meus seios "empedraram"; quando ele aprendeu a sugar, meu leite secou; quando meu leite voltou, ele começou a ter refluxo e a chorar para não mamar; quando pensei que o problema era só o refluxo, descobri um sopro no coração; quando me desesperei pensando que ele não iria jogar futebol, descobri que muitos bebês tem sopro e que isso era comum e não lhe traria prejuízo; que havia horas em que ele chorava e eu não entendia nada do que ele queria; que na maior parte do tempo eu me sentia esgotada e sem forças... Os primeiros quinze dias para mim foram simplesmente devastadores. Além de todas as dificuldades, adquiri uma "síndrome do músculo piriforme" que não me deixava andar por um período do dia ou da noite (ainda hoje tenho as crises mais agudas, mas estou me tratando). Eu me sentia o cocô do cavalo do bandido, me sentia a pior mãe do mundo.

Mas os dias foram passando, e o "blues puerperal" também. O primeiro mês como mãe passou. E com ele o medo foi dando lugar à esperança, a angústia foi perdendo espaço para a respiração, e fui começando a "tomar pé" no meu novo lugar. Não sei explicar como aconteceu uma mudança, mas lentamente tudo foi se encaixando. Talvez os hormônios tenham voltado ao lugar, ou o remédio homeopático que estou tomando ou a acupuntura para a dor no quadril tenha ajudado, ou quem sabe, talvez seja porque Levi a cada dia está mais lindo, mas o fato é que nessas últimas semanas tenho sentido um amor pelo meu filho que não cabe em mim. Todo dia olho para os olhinhos dele e fico me perguntando como eu pude gerar um ser tão perfeito e tão gracioso, como Deus pôde ter me presenteado com um filho...um filho! Uma continuação de mim, do pai dele, a concretização do amor que sentimos um pelo outro...não sei explicar e se soubesse, não conseguiria definir com palavras. O que sei é que hoje eu realmente entendo porque ninguém me disse que tudo seria tão desesperador no começo (e como continua sendo tantas vezes) : simplesmente a gente esquece do tamanho da dificuldade ao perceber a graça que é gerar um ser e vê-lo crescer. Nunca, em toda minha vida, me senti tão feliz e tão realizada. Não imaginava que pudesse ser assim, tão bonito que chega a doer. É claro que tudo ainda é novo, cansativo, e ainda não durmo nem faço outra coisa que não seja cuidar dele. Mas, por mais contraditório que seja, é um cansaço que me restaura. Parece resgatar tudo o que é bom em mim. 

Hoje, mais uma vez balançando Levi na rede, comecei a cantar aquela música "Eu queria ter na vida simplesmente um lugar de mato verde, pra plantar e pra colher...ter uma casinha branca de varanda, um quintal e uma janela só pra ver o sol nascer...". Aí prestei atenção na letra da música, e mudei a  composição...Comecei a cantar: "Eu só quis ter na vida simplesmente um lugar como esse, pra amar e pra viver...ter uma redinha branca na varanda, um marido e um filhote, só pra ver o amor crescer..." olhei pro céu e agradeci emocionada a Deus por estar vivendo aquele momento. Senti como se a felicidade estivesse ali, em pé, nos embalando. Olhei para o meu filho e ele sorriu pra mim. Sorri de volta e de repente, o mundo começou a fazer sentido. ;)



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Le-vi-da


Há uma semana vivi o maior milagre da minha vida: meu filho nasceu. Isso por si só já é um milagre da vida, gerar um novo ser, mas no meu caso o milagre foi literal.

Na quarta-feira passada, minha grande amiga Alessandra se despedia da vida mundana e se entregava à vida comunitária, na Comunidade de Pe.George. Eu estava com dor de cabeça e muito calor, mas aos 9 meses de gravidez lá fui eu me despedir da minha amiga, entregar uma carta a ela dizendo o quanto eu sentiria sua falta. Chegando na comunidade, eu e Elias encontramos nossa "anjo-da-guarda" D.Luiza, uma santa na terra que temos o prazer de conviver, e que é uma mulher cheia do Espírito Santo. Tão cheia que por muitas vezes Deus cochicha em seu ouvido coisas que ninguém ainda sabe. Sentei do lado de Dona Luiza naquele dia. Rezei muito, chorei muito com saudade de Alessandra, nos abraçamos, choramos juntas, e o tempo todo eu pedia a Deus que protegesse meu filho e lhe desse saúde. Era quarta-feira de cinzas, início da quaresma. Período de quarenta dias de reflexão e penitência. Eu me sentia bem, apesar do calor. Mas notei que Dona Luiza segurava minha mão de vez em quando com uma intensidade maior.

Saí de lá e fui para casa com muita dor de cabeça. Demorei a dormir. Algo me inquietava e eu não sabia bem distinguir o quê. O parto de Levi estava marcado para hoje, dia 21, quando eu completaria 39 semanas de gestação. Tudo estava tranquilo e eu tinha feito uma ultrassonografia há poucos dias que indicava que meu filho iria nascer em um estado perfeito de normalidade. Iria pesar uns 3,6kg e já estava com 48cm. Fui dormir com uma sensação de que eu estava doente, mas que Levi estava bem e saudável.

Às 7h30 da quinta-feira, dia 14/02, eu tive uma intuição fortíssima de que algo de errado estava prestes a acontecer. Não sabia explicar, mas insisti para meu marido me levar junto para o trabalho dele e de lá eu tentaria fazer uma ultrassonografia. Ele tentou me impedir dizendo que a próxima já seria no outro dia, me falou para não ficar ansiosa e que tudo estava bem. Mas não estava. E eu sabia. Quem me conhece sabe que quando coloco algo na mente é impossível eu não ir até o fim. Mas não havia nessa cidade, vaga para se fazer uma ultrassom. Tentei de tudo e por fim, consegui convencer o médico que sempre realizava meus exames a me atender na última hora da manhã. A secretária ainda insistiu: "Por que você não vem à tarde?" e eu respondi, incisivamente: "Não, tem que ser agora de manhã". Ainda bem.

Quando eu e meu marido começamos a ver as imagens, Dr.Eudes perguntou: “Ele estava pesando quanto na última USG?” Eu respondi: “3kg”. Ele disse: “Estranho, ele emagreceu... está com 2 quilos e pouco”, com um tom apreensivo na voz. Comecei a chorar. Eu sabia que minha intuição não havia falhado. E o médico completou: “Seu líquido amniótico reduziu demais. Vou ligar para Inez (minha obstetra)”. Saí de lá aos prantos. Eu iria ter meu filho naquela tarde e não sabia o que iria acontecer. Chorei durante todo o trajeto, e fazendo minha mala, eu continuava com aquela maldita sensação de que algo não estava bem. Convoquei toda minha equipe de fé (hehe) e pedi para todos rezarem. Quando falei com Vovó Tina ela me disse que tinha sonhado com ela e mamãe impedindo que Levi fosse atropelado. Chorei ainda mais.

Ao chegar na sala de parto, minha pressão estava 13/9. Eu ardia de suor e tensão, estava nervosa e com o maior medo que já senti em toda minha vida. Ao tomar a anestesia, pedi para meu marido colocar uma música para eu ouvir. Primeiro ouvi “Yellow” do Coldplay e quando a médica abria meu abdômen, eu ouvia “Como é grande o meu amor por você” de Roberto Carlos. Até que ouvi minha obstetra gritando: “Meu Deus, vamos tirar ele logo, não tem mais líquido nenhum!”. Nesse momento (o pior da minha vida, sem dúvida), eu chorava e tinha certeza de que eu e Levi iríamos morrer. (Pausa para o choro...)

Vi a cara branca do meu marido olhando minha pressão na tela e lá estava 8/5...e baixava.... nesse momento entre o mundo daqui e o de lá, eu senti uma paz momentânea que me fez dizer: “Minha Nossa Senhora, salva pelo menos meu filho e segura na minha mão...” (Nova pausa...)

Até eu ouvir o choro de Levi eu não estava nesse mundo. Passei do pior para o melhor momento da minha vida em segundos. Quando ouvi aquele chorinho, experimentei, de novo, a sensação concreta de ter Deus e Maria me segurando e dizendo que tudo estava bem. Não sei mensurar minha gratidão a “Eles” por eu e Levi estarmos chorando juntos naquele momento. Jamais vou esquecer o que senti e o que vivi no dia 14/02/2013. Acho que eu, Elias e Levi já temos muitos milagres para nos convencer, definitivamente, que Deus não é uma energia cósmica e sim uma presença real e magnífica, em quem podemos nos abandonar e confiar, que Maria realmente é uma grande intercessora e não uma simples personagem bíblica, que a fé realmente pode mudar o rumo das coisas.

O médico anestesista exclamou um “como ele é pequeno!” quando Levi nasceu. Eu chorei mais uma vez. Mas Deus me cochichou: “como ele é grande!” (Pausa novamente...).


Dona Luiza, àquela altura não parava de ligar para meu marido. Conversando com ela, soube que ela tinha tido uma visão de morte quando esteve ao meu lado um dia antes de Levi nascer. Passou a noite rezando muito para que Deus não permitisse que aquela imagem se concretizasse. Disse que só parou de pedir de manhã, quando adormeceu. Ela adormeceu e eu acordei com aquela intuição divina que salvou a nossa vida. Choramos juntas hoje, quando após vacinar meu filho, o levei para vê-la.

Levi teve uma pequena restrição de crescimento intra-uterino durante uma semana, ainda não sei porquê. Nasceu pesando 2.755kg e 48 cm. Não era bonitinho nem rosado como eu imaginava. Não tinha dobrinhas nem bochechas gordas. Tinha rugas e parecia um velhinho. Fiquei muito preocupada e temerosa por sua saúde. Mas Deus me deu leite em abundância, saúde e condições para que Levi possa reverter o sofrimento pelo qual passou e crescer forte e saudável. Eu não duvido disso, mas como eu sou uma reles mortal e falível, a pediatra me confirmou tudo isso. Hoje ele já está mais gordinho e rosadinho. Sou suspeita para falar dele. :)

Enfim...A vida, definitivamente, nos mostra a passos largos que não temos o controle de nada, de que tudo pode mudar a qualquer momento, que nossos planos não são absolutamente nada diante de cada possibilidade de mudança, de fatos que alteram absolutamente tudo, sobretudo alteram quem somos. Hoje meu objetivo de vida não é ter mais nada, nem título, nem cargo, nem mais do que eu tenho. É só ser. Ser a melhor mãe que eu puder para Levi. Ser uma pessoa mais humana, tolerante e sensível à dor do outro. Quando qualquer arrogância quiser me visitar, lembrarei do dia 14/02, quando tudo que importava era simplesmente, sobreviver. No meu caso era sobreviver e pedir para Deus salvar a vida daquele pequeno ser.

Estamos sempre salvando alguém. Mas acho que a principal pessoa a ser diariamente salva somos nós mesmos. Que Deus me salve de tudo o que não for bom hoje, que Ele possa só deixar em mim sentimentos que valham à pena. Não é fácil. Principalmente em uma dança hormonal onde me sinto sensível demais, triste demais, feliz demais, tudo ao mesmo tempo. 

Mas quando olho para Levi, sinto um amor inexplicável que supera qualquer sentimento. Nunca amei dessa forma, nunca experimentei essa sensação completamente inexplicável e indelével.

E é com esse amor que te parabenizo hoje, meu filho, pela sua primeira semana de vida. Que Deus esteja sempre te lembrando que por pouco, você não estaria neste mundo. Então você deve fazer sua existência valer à pena. E eu vou estar ao seu lado para te ajudar nessa tarefa tão difícil. Eu te amo com um amor que ultrapassa meus limites. Como diz a música que tocava quando você nasceu: "e não há nada para comparar, para poder lhe explicar como é grande o meu amor por você..."

Beijos, Mamãe.