segunda-feira, 18 de abril de 2011

Essa notícia me fez escrever um texto de milhares de caracteres, com várias perguntas e nenhuma resposta, passando pelo relativismo, pelo cristianismo, o existencialismo de Sartre e Heidegger,e falei da busca da transcedência que Leonardo Boff explica. Mas, de repente, minha tela escureceu assim que acabei o texto, e por mais que eu tenha vasculhado o PC, não encontrei mais o que eu havia escrito. Talvez seja o acaso. Talvez seja Deus. O que constatei com o episódio foi justamente o que eu tinha tentado escrever: A famigerada busca pelo significado da vida talvez esteja sendo substituída por um caminho que nos leva a uma completa falta de significado para a vida. É só assim que consigo explicar tudo isso.

sábado, 9 de abril de 2011


O Soldado da Paz não pode ser derrotado

Ainda que a guerra pareça perdida

Pois quanto mais se sacrifica a vida

Mais a vida e o tempo são seus aliados


(Herbert Viana)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Dias de Deserto

É difícil falar de um tema tão contraditório quanto a depressão. Primeiro, porque ninguém tem coragem de admitir que a vida, por um momento -que parece bem mais longo do que apenas um "momento" - perde o sentido. Afirmar algo do tipo é como se fôssemos indignos de estarmos vivos, de termos saúde e condições financeiras, físicas e emocionais que muitos não têm. Parece que, se você tiver tudo o que precisa e mesmo assim se sentir infeliz, é porque certamente você não merece o que tem e deve ser jogado no fogo do inferno sem piedade, tamanha sua falta de gratidão. Como, portanto, podemos ter coragem de falar em depressão?

Também é difícil porque a pessoa deprimida não tem ânimo, sequer, de falar. E se falar para alguém que nunca passou por esse deserto, certamente vai ouvir frases do tipo "canta, canta, minha gente, deixa essa tristeza pra lá". Eu sei bem o que é isso. A última coisa que desejamos ouvir quando a depressão nos acompanha é frases prontas e receitas de como se sentir feliz com os-pés-e-os-braços-que-temos-quando-tantos-não-os-têm.

Longe de mim dizer que tais conselhos são vaziose os conselheiros, idem. Pode vir de muita gente que quer apenas o nosso bem, mas não sabe como ajudar. Mas acontece que, quando algúem está deprimido, isto é, vivendo como se estivesse no meio de tudo e não participasse, a única coisa que esta pessoa não precisa ouvir são argumentos que a sobrecarreguem, ainda mais, de culpa. Elas já sentem-se culpadas por não se sentirem felizes, quando o mundo todo diz que a felicidade é uma opção fácil de se escolher.

A pessoa deprimida precisa é de amor. Amor verdadeiro, do tipo de Jesus, que apenas toca o olho do cego, sem machucá-lo, para que ele volte a enxergar o mundo. Jesus era capaz de dizer "levanta-te!" sem parecer autoritário. A ordem era de alguém que ama tão profundamente que sabe que o doente (o deficiente ou o deprimido) pode levantar com seus próprios pés, mas precisa de um guia.

Já vivi uma depressão avassaladora, há alguns anos atrás. Para mim, tudo havia perdido o sentido. Sentia-me tão inerte que tudo, até mesmo me alimentar, parecia pesado demais, assim como minhas pernas. Emagreci, calei-me e sofri quieta, durante muito tempo. Até que consegui, a duras penas, perceber que aquela tristeza não passava com o tempo e que, apesar da causa ter ido embora, o sentimento de angústia e sensação de vazio espiritual teimavam em ficar. Comecei a não achar graça em viver. Quando constatei isso, procurei ajuda. Fiz terapia e tomei remédio. E, graças a Deus, me curei. Lembro que, na época, comecei a namorar um idiota (todo mundo tem um idiota no caminho, não é mesmo?!) que ficou abismado de eu tomar antidepressivo com 20 e poucos anos, tratou de espalhar para algumas "colegas" e estas me fuzilaram com argumentos de que aquilo-era-um-absurdo e que eu não era louca para tomar remédio controlado.

Mas eu tenho sorte e nesta época eu já havia erguido os olhos e aprendido a me aceitar. Inclusive, a aceitar meu lado obscuro e que precisava de luz. Quando tais pessoas me chamaram de louca eu já estava descontinuando o remédio e a terapia, então já me sentia suficientemente forte para pedoar a ignorância, e até mesmo entender aquelas pessoas que teimam em achar que a fórmula mágica de como tudo pode dar certo (mas só elas podem dizê-lhes). Aliás, como toda a certeza, a depressão que tive me fez ir ao fundo do meu próprio poço e ter me conhecido muito mais. Percebi o que estava escondido entre os pedregulhos e confesso que hoje, me sinto rica de espírito, pelas pedras preciosas que ali encontrei.

Portanto, escrevo hoje inspirada na morte da atriz Cibele Dorsa - que pulou do prédio onde morava porque não viu mais sentido na vida sem o namorado -, para falar àqueles que não conseguem encontrar ouvintes, apenas acusadores. Escrevo com a esperança de que ela - sim, a esperança - possa invadir o coração de alguém já desesperançoso em livrar-se de uma depressão que insiste em ficar.

Espero que Deus, ou alguém, possa tocar seus olhos com todo amor que você merece e que você possa enxergar um horizonte. Que você possa "levantar-se e andar" mesmo com a depressão a tira-colo. Porque um dia ela cansa. E você estará livre.