sábado, 15 de maio de 2010


Um corpo quer outro corpo.
Uma alma quer outra alma e seu corpo.
Este excesso de realidade me confunde.
Jonathan falando: parece que estou num filme.
Se eu lhe dissesse você é estúpido
ele diria sou mesmo.
Se ele dissesse vamos comigo ao inferno passear
eu iria.
As casas baixas, as pessoas pobres,e o sol da tarde,
imaginai o que era o sol da tarde
sobre a nossa fragilidade.
Vinha com Jonathan
pela rua mais torta da cidade.
O Caminho do Céu.


(Adélia Prado)

sábado, 8 de maio de 2010

Acabei de assistir "As Invasões Bárbaras", do diretor Denys Arcand. Achei que ia dormir no meio do filme, pois apertei o play às 23h, mas não apenas não desgrudei o olho da tela como sinto que vou demorar a dormir. Um filme lindo, emocionante, engraçado, sensível, que me fez relutar em não chorar, mas acabei soluçando com cenas que mexeram com espaços intocáveis aqui dentro. Ao mesmo tempo, rende boas risadas e percepções diferentes: os mais velhos do filme são os que mais riem de si mesmos e da vida, os mais jovens parecem sempre perdidos (alguma semelhança com o mundo?). Diálogos verdadeiros, doloridos, resignados. Calma, aviso aos navegantes: talvez nem todo mundo goste do filme. Só os que sabem sentir.

sexta-feira, 7 de maio de 2010



Se não puderes ser um pinheiro,no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.

Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser uma ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.

Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.


(Pablo Neruda)