terça-feira, 15 de dezembro de 2009


Assisti hoje "É proibido fumar", com Glória Pires, ótima como sempre, e Paulo Miklos, ótimo como nunca, no elenco. O filme conta a história de uma típica solteirona que vê no vizinho que acaba de se mudar, a chance de voltar à vida- ou ter uma.

A soma de elementos cotidianos reais (nunca vi um filme retratar tão bem o motivo de uma mulher voltar a se depilar, e de como uma mulher muda o figurino quando está apaixonada), com uma dose de irrealidade plenamente aceitável (se pode morrer das mais variadas bizarrices), torna o roteiro rápido, leve, bem-humorado e sobretudo, humanizado, cheio de sutilezas.

A gente começa a perceber qual vazio o cigarro preenche na vida da protagonista, e a ver como relacionamentos podem ser concebidos de forma oposta por homens e mulheres, e ao mesmo tempo, ver que muitas vezes, o medo de ficar só nos faz menos éticos.

Enfim, adorei o filme, principalmente a trilha sonora, deliciosa, cheia de Jorge Ben Jor...

Ah, ah, ah, que nega é essa
Prendada e caprichosa
É a nega que eu espero
Pra acabar com a minha solidão




domingo, 13 de dezembro de 2009


Ninguém devia morrer sem ter ido ao show de Nando Reis ao menos uma vez na vida.E ficar até o fim, o que não é pra qualquer um, diga-se, porque o cara é um fenômeno : cantou 3h sem parar. Eu estou sem voz, mas ainda consigo escrever...

Essa música eu não conhecia. É linda.


"Ainda não passou"


Triste é não chorar
Sim eu também chorei
E não, não há nenhum remédio
Pra curar essa dor
Que ainda não passou
Mas vai passar!
A dor que nos machucou
E não, não há nenhum relógio
pra fazer voltar... O tempo voa!
Triste é não chorar
Sim eu também chorei
E não, não há nenhum remédio
Pra curar essa dor
Que ainda não passou
Mas vai passar!
A dor que nos machucou
E não, não há nenhum relógio
pra fazer voltar... O tempo voa!
Eu não suporto ver você sofrer
Não gosto de fazer ninguém querer riscar o seu passado
E o que passou, passou
E o que marcou, ficou
Se diferente eu fosse será que eu teria sido amado?
Por você, por você

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Um dia alguém me disse
que era pra eu crescer
que assim não podia ser
que eu precisava padecer
para chegar ao Paraíso

Um dia alguém me disse
que era pra namorar
e que mesmo sem amar
eu deveria me casar
antes do segundo sol

Um dia alguém me disse
que só se ama uma vez
que devo acordar antes das seis
que o salário não dá pro mês
E que eu devia ganhar mais

Um dia alguém me disse
que eu não era bonita
que eu não estava bem na fita
que eu tomei mais margueritas
E que falei o que não podia

Um dia alguém me disse
que eu precisava ter isso
e aquilo, e depois disso
virei alguém que sempre escuta

o que alguém disse.

E decidi falar
o que estava na minha telha
debaixo da cadeira
em cima do edredom
tudo meio desarranjado
tudo meio esculhambado
e saindo do tom

Comecei a dizer
que eu não precisava padecer
que o paraíso era mais perto
que a cidade não é deserto
que eu podia sentir prazer
em ser, em viver, em ensurdecer
para as coisas que
alguém me disse.