
Chega uma hora na vida em que a gente tem que escolher. E renunciar. E seguir em frente. Por muito tempo, me iludi, fazendo escolhas e ao mesmo tempo recusando ser aquilo que havia escolhido. Tudo isso porque achava que não existia um caminho meu, e outro caminho seu, eu achava que existia "o" caminho. E este caminho, perfeito e acabado, que passei tanto tempo procurando, realmente não existe, nem nunca existirá.
O que temos são caminhos novos, que a partir de nossas escolhas, serão trilhados. Cansei de fazer "jurisprudência" da minha vida. Pra quem não entende muito esses termos do juridiquês, jurisprudência são decisões que servem como referência para julgamento de um determinado assunto comum. De forma análoga, sempre pautei muito minhas decisões pelo que já havia acontecido comigo antes. Se, por exemplo, me apaixonei e sofri, eu não me apaixonava mais. Se sempre chutava letra "c" e errava, comecei a chutar na letra "a". E fui percebendo que também errava. Ou seja: apesar da minha escolha ter respaldo, na verdade, cada pergunta era única, e cada resposta também. Deve ser assim com a vida.
A gente não tem nenhuma garantia que as mesmas escolhas terão resultados iguais. E também não há como saber se escolhas diferentes produzem efeitos diferentes. Cada momento que vivemos na vida é único e "instransferível". Não dá para comparar situações, embora elas se pareçam. A gente muda todo dia. Às vezes precisamos mudar muito para continuarmos sendo a mesma pessoa.
Tenho me sentido mais feliz em perceber a maturidade dando pistas que está se aproximando de mim. Tenho tido a coragem de tentar fazer meu próprio caminho, buscando ser feliz, mais do que estar certa. Vejo que quase sempre as pessoas que menos se importam com a opinião alheia são as que são mais livres. Estou tendo a oportunidade de escolher ser feliz, embora quase sempre eu tenha optado por não despertar inveja alheia e quase até a compensar as coisas boas com outras ruins. Isso se torna um hábito muito perigoso, porque a gente começa a relativizar nossas conquistas (lembrei da música de Pato Fu: "as brigas que ganhei nem um troféu como lembrança, pra casa eu levei/ as brigas que perdi, estas sim, eu nunca esqueci..")
"-Ah, você passou no concurso? que coisa boa!!!"
"-É, mas o salário nem é tão bom..."
Isso é triste. E mais triste ainda é que existem pessoas que só se interessam pela parte do "mas...". Talvez por isso que existam tantas desculpas pra felicidade no mundo.
Dessa vez, ando sorrindo sem ter medo de ninguém. Porque a minha vida, afinal, está nas minhas mãos. E nas de Deus.
E, como diria o Sivuca e o Chico,
"pela minha lei, a gente era (é) obrigado a ser feliz."