quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Cecília Meireles


Canção Excêntrica


Ando à procura de espaço
para o desenho da vida.
Em números me embaraço
e perco sempre a medida.

Se penso encontrar saída,
em vez de abrir um compasso,
protejo-me num abraço
e gero uma despedida.

Se volto sobre meu passo,
é distância perdida.
Meu coração, coisa de aço,
começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida.

Já por exausta e descrida
não me animo a um breve traço:
- saudosa do que não faço,
- do que faço, arrependida.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Tempo, mano velho...

Muita gente me pede para eu ter paciência e saber esperar o tempo certo das coisas. Eu sou afoita e teimo em fazer que as coisas dêem certo a tempo. Acho que por muitas vezes a paciência mata uma incipiente coragem, quase sempre necessária. Não sei pra quê e o por quê de tanto se valorizar a paciência quando a vitória incerta, o ritmo descompassado, e os sucessos inesperados dão tanto sabor à vida. Pra mim, um dia é muita coisa. Deus que me perdoe, mas lembro de uma estratégia de marketing (humor negro, admito) de um jornal que mostrava a foto do "antes e depois" do 11 de setembro, e dizia:"Um dia dá pra muito. Imagine o que pode acontecer em três meses."


E eu nem imaginava o que dava pra acontecer em 1 ano! Mas, seja como for, sigo acreditando que a gente pode fazer com que o tempo e o mundo passem de inimigos* para amigos. Não ter muita "paciência" não significa atropelar as coisas, pelo contrário. É fazer o caminho para que elas tenham por onde passar. Saber esperar é um dom, e saber agir é outro. Os dois são igualmente importantes, mas acho que o "saber esperar" só cabe depois do "saber agir". Sempre esperei muito na minha vida. Ainda espero. Talvez, espere sempre. Mas uma coisa é certa: eu sei que o compasso de espera só é admitido depois do passo da busca.

p.s:*Aliás, nunca achei que o tempo e o mundo fossem inimigos, como já ouvi muita gente falar. Infelizmente, o único inimigo que eu tenho eu vejo todos os dias, no espelho...

Roda, "Viva"...

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...(4x)