sexta-feira, 5 de setembro de 2008

A goiabada é doce,mas não é mole não...


Ai que saudade de tirar o chinelo e andar descalça aqui no blog. É que os últimos dias têm me consumido ao extremo, a ponto de eu acordar às 6h e ir dormir depois de meia-noite. Sexta-feira era meu dia favorito, mas agora a coitada virou uma segunda-feira genérica. Bom, o fato é que não é apenas o quanto estou trabalhando, mas sobretudo, o quanto eu estava ansiosa e meio que desesperada esta semana,o que me impediu de falar muito, principalmente aqui no blog, onde sempre escrevo mais sobre as conclusões do que propriamente sobre as dúvidas.

Seguindo minha prática de escrever sobre a conclusão, confesso que esta semana começou muitíssimo bem para mim. Consegui avançar mais no campo profissional (que ano bom!) e tive notícias de que a fase boa iria, em breve, ser ótima. Só que, esperar implica paciência. Coisa que eu nunca tive. Aí Deus se meteu no meio da minha confusão mental e me fez observar uma cena, todos os dias. Vou contar.

Sinceramente, sou imediatista demais, quero tudo pra ontem e me desespero se nada acontece no tempo que "eu" acho que deveria acontecer. Já ouvi muito frases que repetem a lição do livro do Eclesiastes ("existe um tempo para cada coisa.."), mas comigo nada disso funcionava. Eu me desesperava com a demora de tudo. E notei que "desesperar" era a conseqüência inevitável de "des-esperar". Não conseguindo esperar,só sobra o desespero.

Até que, todos os dias, eu olhava para a goiabeira do vizinho, que chora na minha parede com suas folhas e goiabas derramadas, e falava com os pequenos projetos de goiaba que eu via:
"-Você ainda está pequena demais, fique maior";
Na outra semana, pegava nas frutinhas verdes e repetia:
"-Você cresceu, mas ainda pode crescer mais";

E, sendo essa atitude insana ou não, semana após semana eu conversava com as goiabinhas. Na sexta-feira passada eu estava desejando comê-las, olhei para os projetos e me aproximei de uma que me parecia já madura. Mas, antes de arrancá-la, pensei que ela já tinha chegado até ali, coitada, e seria muito injusto retirá-la sem que estivesse pronta, antes que ela concluísse o ciclo que ela "nasceu" pra ter. A coitada não ia cumprir sua missão apenas porque eu não esperei o tempo certo. Fiquei com pena e esperei.

Ontem, não apenas a goiaba em questão estava madura, como todas as outras da árvore, fato que me moveu, juntamente com Vovó a colhê-las do pé (escondidas do vizinho,claro). Fizemos um doce maravilhoso e talvez o sabor tenha sido marcante não apenas pelo açúcar dissolvido em mel, mas sobretudo pela lição que eu aprendi, agora de maneira definitiva. Não adianta querermos nada antes do tempo certo. E o tempo certo é aquele em que não precisamos arrancar, destruir, atropelar nada e nem ninguém. O tempo certo chega, e ele nos traz tudo aquilo que é nosso e pelo que esperamos. E nos traz assim, com o vento, sem que seja preciso desespero e esforço hercúleo. O doce de goiaba fez com que meu desespero se dissolvesse numa doce espera. Dessa vez, eu aprendi.

domingo, 17 de agosto de 2008

Minha amiga Magalle me explicou ontem a história da música "Segundo Sol" de Nando Reis. Ele escreveu a música para uma amiga que, diante do fim de um grande amor, tinha certeza que jamais se apaixonaria de novo. Dizia que era mais fácil aparecer "2 sóis num dia" do que ela amar outra pessoa. E ele rebatia falando que certamente aquilo iria acontecer de novo, era apenas uma questão de tempo. Eis que um dia, a amiga telefona, dizendo que o impossível agora era real. E neste dia, ele escreve a música(que,agora, parece fazer todo o sentido) :


Quando o segundo sol chegar
Para realinhar as órbitas
Dos planetas
Derrubando
Com assombro exemplar
O que os astrônomos diriam
Se tratar de um outro cometa...


Não digo que não me surpreendi
Antes que eu visse, você disse
E eu não pude acreditar
Mas você pode ter certeza
De que seu telefone irá tocar
Em sua nova casa
Que abriga agora a trilha
Incluída nessa minha conversão...


Eu só queria te contar
Que eu fui lá fora
E vi dois sóis num dia
E a vida que ardia
Sem explicação...


Engraçado como pensamos sempre em definitividade na vida, sem nos darmos conta de que a própria vida também acaba. O mais bonito de pensar na provisoriedade do tempo é que ao sepultarmos alguma coisa, acabamos por abrir espaço para tudo que ainda virá. E é bom saber que não apenas um segundo sol pode existir, mas também uma segunda face de nós mesmos quando a primeira já não nos cabe. Apesar da história falar de relacionamentos(e,acredite, sempre haverá um segundo sol), acho que a gente pode pensar na música de uma maneira mais ampla ou quem sabe, mais restrita, já que podemos olhar pra nós mesmos.


Ontem liguei a TV (tira-visão) na hora em que uma mulher, sorridente e paraplégica, falava pro Luciano Huck: "Quando eu fui atingida por uma bala perdida e perdi meus movimentos,Luciano, eu sabia que Deus iria me prover com tudo o que eu precisasse. Não pedi nada, apenas Saúde, para conseguir criar meus filhos, mesmo com as limitações. Acho que só há duas formas de viver a vida:uma é vivendo bem, a outra é não vivendo."


Aquela frase ecoou na minha mente por muito tempo. Fiquei pensando em quantas vezes achamos que não suportaremos uma situação, que a carga é pesada demais, que não vamos conseguir. Mas o 'segundo sol´existe, e 'sem explicação', descobrimos que o que éramos antes já não existe mais. Ressurgimos mais fortes, mais maduros, mais conscientes de tudo o que temos de bom e que ainda podemos ter. Acho que a criação, definitivamente, não acaba com o nascimento. Ela continua a existir em cada dia, quando nos recriamos, nos reiventamos, nos descobrimos. A Madonna está no topo por se reiventar a cada álbum. Acho que é uma dica sobre como a gente pode ser mais feliz. Nada de pensar no "para sempre" ou 'nunca", tampouco no "jamais". Vamos pensar que em cada momento, a vida nos exige mais de nós mesmos e que essa pode ser a nossa chance de descobrirmos tudo aquilo que a gente ainda pode ser. Quem sabe um dia, contar que vivemos "a vida que ardia sem explicação..."

sábado, 16 de agosto de 2008

Ainda é cedo...

Quando a gente não sabe o que dizer, vem um poeta e resolve o problema.

Ainda é cedo
Composição: Renato Russo

Uma menina me ensinou
Quase tudo que eu sei
Era quase escravidão
Mas ela me tratava como um rei

Ela fazia muitos planos
Eu só queria estar ali
Sempre ao lado dela
Eu não tinha aonde ir

Mas, egoísta que eu sou,
Me esqueci de ajudar
A ela como ela me ajudou
E não quis me separar

Ela também estava perdida
E por isso se agarrava a mim também
E eu me agarrava a ela
Porque eu não tinha mais ninguém

E eu dizia: - Ainda é cedo
cedo, cedo, cedo, cedo

Sei que ela terminou
O que eu não comecei
E o que ela descobriu
Eu aprendi também, eu sei

Ela falou: - Você tem medo
Aí eu disse: - Quem tem medo é você
Falamos o que não devia
Nunca ser dito por ninguém

Ela me disse:- Eu não sei mais o que eu sinto por você.
Vamos dar um tempo, um dia a gente se vê
E eu dizia: - Ainda é cedo
cedo, cedo, cedo, cedo