segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008


Meu coração bate acelerado e eu acabo gostando dessa sensação. Não é mais ansiedade, e sim pressa de viver. No entanto, a pressa é amiga da imperfeição e por isso mesmo é que ela se faz constante em mim, defeituosa de fábrica. Acho que viver consiste em pôr tudo de si em tudo o que fazemos, embora não haja "pódios de chegada ou beijos de namorada", como diria o Cazuza.Tudo isso me faz lembrar daquela canção do Paulinho Moska, que canta o sentimento de gostar da travessia e não necessariamente do ponto de chegada:

Eu amo a causa, e não a conseqüência
Eu amo o Pensamento, e não a inteligência
Eu amo a Loucura, e não a consciência
Eu amo a paciência, eu amo a paciência

Eu amo o deserto, a não a muralha
Eu amo o mergulho, e não a medalha
Eu amo suor, e não a toalha
Eu amo a batalha, eu amo a batalha

Eu amo a alma, e não a pessoa
Eu amo a cara, e não a coroa
Eu amo a corrida, e não a linha de chegada
Eu amo a estrada, eu amo a estrada

Eu amo o agora, e não a memória
Eu amo a luta, e não a vitória
Eu amo o fato, e não a história
Eu amo a trajetória, eu amo a trajetória

Eu amo o bem forte, e não o assim
Eu amo o papel, e não o cetim
Eu amo pra onde vou, e não de onde eu vim
Eu amo o meu meio, e não o meu fim

domingo, 10 de fevereiro de 2008


O gato é uma maquininha
que a natureza inventou;
tem pêlo, bigode, unhas
e dentro tem um motor.

Mas um motor diferente
desses que tem nos bonecos
porque o motor do gato
não é um motor elétrico.

É um motor afetivo
que bate em seu coração
por isso faz ronron
para mostrar gratidão.

No passado se dizia
que esse ronron tão doce
era causa de alergia
pra quem sofria de tosse.

Tudo bobagem, despeito,
calúnias contra o bichinho:
esse ronron em seu peito
não é doença - é carinho.

(Ferreira Gullar)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Puxa, estava sentindo falta do blog. Mas a falta de inspiração e de computador não ajudam muito a mudar a situação. Não sei se alguém aqui já passou ou ainda passa pela fase do "e agora, eu faço o quê?" que aflige tanta gente depois da formatura, mas o fato é que eu tô achando tudo péssimo. Faz 1 ano que me formei em Direito e jamais pensei em ficar tanto tempo sem rumo. O mercado está inflado, os escritórios pagam pouco, os concursos são mais concorridos que Mega-Sena e a pressão só aumenta. Meu primo terminou o ensino médio agora e não quer fazer vestibular. Eu até dei força p/ ele, mas o pilantra não precisava justificar na frente de todo mundo: "-Pra quê se lascar todinho p/ entrar em Direito, ficar 5 anos lendo um mói de livro p/ depois 'tá' como Vivianne, formada e sem dinheiro?".Todo mundo se calou, inclusive eu.É f..., mas é verdade.O negócio tá brabíssimo. E eu que deixei de fazer jornalismo por medo do desemprego, hehehe... Esses dias eu li um artigo de uma pesquisadora americana que sustenta veementemente que o ensino superior é uma perda de tempo.Bom, no Brasil,infelizmente, tornou-se pré-requisito de quase todo emprego (incluindo o de PM de Brasília...). Só que o crescimento de um país não necessariamente está ligado aos investimentos em educação, segundo a pesquisa. Países que investiram maciçamente em educação nem sempre tiveram aumentos nos índices de crescimento, justamente porque esqueceram que "formados" precisam de mercado para trabalhar. No Brasil, as pesquisas apontam números distorcidos: gasta-se muito mais com aluno do ensino público superior que com os alunos do ensino básico. E não é nenhuma surpresa que quem está na universidade pública são os melhores alunos das escolas particulares. São contra-sensos do Brasil. E como não poderia deixar de ser, minha família é brasileiríssima e minha prima, que terminou o ensino médio agora, ganha R$1.200,00 como gerente de uma loja de motos,meio período, enquanto um escritório me ofereceu R$800,00 para trabalhar o dia inteiro, como advogada (?). Vai entender...