sábado, 17 de novembro de 2007

Meu pai sempre ensinou a odiar mentiras e mentirosos. Eu achei bonito e passei a adotar essa filosofia. Mentir, jamais. Besteira.Todo mundo mente, de uma maneira ou de outra,afinal. Mas, por trás de todas as mentiras, há sempre a verdade, o que faz com que toda mentira seja verdade, pelo menos, por trás das palavras. Afinal, às vezes se diz o que se gostaria de ser dito, ou o que devia ter sido. Acho que há algo que se tem medo de falar e por isso, se mente. Por isso é bom ouvir. Sempre. Sem tantos "afirmativos categóricos" e verdades absolutas. Acho que assim, afasta-se o medo e abre-se espaço pra verdade,tal como ela é. No fim, melhor mesmo é ser humano e reconhecer nossos limites.


Todos tem seu encanto: os santos e os corruptos.
Não há coisa na vida inteiramente má.
Tu dizes que a verdade produz frutos...
Já vistes as flores que a mentira dá?


(Mário Quintana)


p.s: A foto não tem nada a ver com a postagem, é só porque achei lindo o Johnny(Gabriel Match), do filme "Minha mãe quer que eu case" ('Because I Said So') . Por não corresponder ao conteúdo,talvez a imagem revele bem o sentido do post. =)

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

I can´t find the words to say...

Vou explicar só uma coisa: quando uma mulher está de tpm, saia de perto. Isso é sério.
Quando eu estou assim, parece que eu acordo já parecendo uma "boêmia" em fim de festa, achando tudo um lixo, inclusive eu mesma. Isso acontece de vez em quando, porque em outras vezes, haja choro, em outras, haja chocolate e todas as comidas do mundo (ao mesmo tempo, claro).Parece que o mundo todo está errado, e claro que a gente tem que reclamar de tudo, e chorar se ninguém conserta as coisas.Eu sei que pode parecer drama, mas quem é mulher sabe do que eu tô falando.
Pelo menos , música existe.


"
Damn my situation and the games I have to play
With all the things caught in my mind
Damn my education , I can't find the words to say
About the things caught in my mind

So don't go away
Say what you say
But say that you'll stay
Forever and a day... in the time of my life
Cause i need more time, yes
I need more time
Just to make things right


Me and you what's going on?
All we seem to know is how to show
The feelings that are wrong"


Quem quiser ouvir:
http://www.mp3tube.net/musics/Oasis-Dont-Go-Away/31691/

domingo, 4 de novembro de 2007

Hoje foi um domingo de luz. Não só pelo sol maravilhoso que fez aqui, mas principalmente pela luz advinda de uns olhinhos miúdos, de um menininho lindo chamado Lucas. Fui para missa porque eu estava sentindo minha espiritualidade minguar, tornar-se cada vez mais fraca apesar das minhas insistências com Deus. O meu sono, implacável, roubava o tempo que eu tinha pra prosear com meu amigo lá de cima. Sobrou o vazio e fui atrás de preenchê-lo. Há tempos que eu tentava, e fui recuperando a credibilidade na minha fé aos poucos, devagarinho. Não acredito em fé que não duvida dela própria, apesar de parecer um contra-senso. Acho que devemos sempre investigar nossas crenças, a fim de que elas amadureçam, tornem-se sustentáveis.

Hoje eu diria que o silêncio foi muito mais importante do que qualquer pregação que eu poderia ter ouvido. Dessa forma,um tanto quanto cética,mas sempre pedindo desculpas a Deus pelas minhas dúvidas, cheguei para assistir a missa e logo que desci do carro, o Lucas me olhou e sorriu.Ele estava descalço e sem camisa, mas nunca vi um menino tão lindo e com olhos tão expressivos em toda minha vida. Cabelinho castanho, lisinho de dar dó, sob a testa,sorriso sincero,que faz preguinha no canto do olho.Acho que foi paixão à primeira vista e o melhor de tudo é que ele foi com a minha cara também e correu para me dar um abraço, assim, do nada, mesmo. Eu fiquei sem saber o que fazer, e não tive alternativas a não ser me render, abrançando-o e levando-o ao céu- bom, não sei quem, na verdade, foi no céu-.A mãe dele estava "guardando" os carros em frente à igreja, e ela encabulou-se da aparente 'carência afetiva' de Lucas, que foi logo correndo pros meus braços. Dei tanto cheiro nele, e achei o moleque tão parecido comigo que eu confesso que quis levá-lo pra casa. Mas a mãe só tinha ele, e disse que era a pérola da vida dela. Só podia mesmo.


Eu não consegui, e parece que não vou conseguir, explicar como Lucas, de 4 anos, mexeu comigo, só sei que entrei na missa chorando e sai dela chorando ainda mais. Mas era aquele choro inexplicável, jamais um símbolo de tristeza, alegria ou mesmo de 'fragmentos de história'. Acho que as lágrimas estavam lavando a minha alma, como se eu tivesse tido um 'insight' e me lembrado da essência das coisas, lembrado da centelha divina que existe lá dentro de cada um, escondida em algum lugar do nosso coração.O Lucas conseguiu me passar a sensação de que Deus, se fez na forma de criança,pra chamar minha atenção. Chegou sem alarde e só de me ver- de volta- já abriu o sorriso, correndo pro abraço, sem perguntar o que eu fiz de errado. Me encheu de afagos, me levou no Céu, e me deu a certeza de que ele me amava apenas por estar ali, mesmo sem um doce ou um brinquedo para dar em troca. Acho que é a certeza de se saber amado apenas pelo que se é, mesmo que não sejamos grande coisa.


Enfim... o domingo foi do "Lucas" na minha vida.

Que amanhã, possa ser o dia do "Mateus", na sua.