segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Morre lentamente quem não viaja,quem não lê, quem não ouve música,quem destrói o seu amor próprio,quem não se deixa ajudar.Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,repetindo todos os dias o mesmo trajecto,quem não muda as marcas no supermercado,não arrisca vestir uma cor nova, não conversa com quem não conhece.Morre lentamente quem evita uma paixão,quem prefere o "preto no branco" e os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,justamente as que resgatam brilho nos olhos,sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorteou da chuva incessante,desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,não perguntando sobre um assunto que desconhecee não respondendo quando lhe indagam o que sabe.Evitemos a morte em doses suaves,recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.Estejamos vivos, então!

(Pablo Neruda)

Dias Claros..


Terminei, enfim, de ler o "Livro dos Prazeres" da minha amiga Clarice Lispector. Os 'acasos' às vezes são tão premeditados que acabo pensando que a personagem principal do livro devia se chamar 'Vivianne' e não Loreley (tudo bem,Clarice,Loreley é mais poético e tem todo um significado,admito). Só mesmo uma mulher pra descrever tão bem o mundo do ser mais ininteligível da espécie...a mulher. Parece que vivemos sob o peso de saber, e ao mesmo tempo, fingir não saber, pois sabemos demais. Não aquele saber que os mais inteligentes sabem, mas aquele outro, sabe? (um trocadilho não faz mal!)...E saber demais nos coloca em uma posição inadequada para conviver com os outros. Parece que nós,mulheres, encontramos mais significados nas coisas e mais beleza nas pessoas. Nosso olho de Tandera nos abre a visão para muito além do alcance...às vezes ´além´demais, é verdade. Por vezes nós,mulheres, não precisamos nem receber transmissões nem transmitir. Porque na maioria das vezes,não precisamos de comunicação... Meu sobrinho vai ser menino. Eu vou tentar contar minhas histórias imaginárias, que de tão lindas, acabam criando uma aura mais suave do mundo real...Ele vai pensar que são fábulas, o que vai ser bom. Mas se fosse uma menina, ela ia acreditar e quem sabe, me propor outros finais, o que ia ser ótimo. Por fim, uma passagem do livro me apaixonou, pela semelhança com cenas de um filme (ou minha vida?)...


"De algum modo já aprendera que cada dia nunca lhe era comum, era sempre extraordinário. E que a ela cabia sofrer o dia ou ter prazer nele. Ela queria o prazer do extraordinário que era tão simples de encontrar nas coisas comuns.Não era necessário que a coisa fosse extraordinária para que nela se sentisse o extraordinário."

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Da Cólera ao Silêncio


Quase nunca escrevo no mesmo dia, mas hoje estou a fim de jogar a toalha e pedir um tempo. Não sei porque quanto mais eu mostro minha humanidade precária e falível, as pessoas esperam que minhas atitudes sejam sempre dignas do prêmio nobel da paz. Aliás, esta não é uma situação nova, e tampouco exclusivamente minha. Acho que a mola propulsora das mágoas não é a situação em si, mas a espera. Eu espero do outro determinada atitude. Ele age de outra forma. A minha idealização se dissolve e sobra a decepção. Ajo, então, conforme ela manda. Só que o outro também 'esperava' outra coisa. E assim o dominó vai caindo, um por um, por coisas a princípio banais, mas que somaram-se a outras. Daí vem a própria somatização (ou seja, a apreensão de uma realidade exterior para a interior, que culminam nas doenças), as inimizades, a inveja, os amores desfeitos, os transtornos psicológicos. Eu digo à minha terapeuta que uma conversa depois da briga,e no entanto, antes da 'intriga', diminuiria a clientela em 50%, hehehe. Os estóicos, assim como Sidartha Gautama( O Buda) já pregavam que o caminho da felicidade é justamente esse: o desapego. Desapegar-se da projeção, da idealização...enfim. O que sobra é que, no fim, a gente termina consigo mesmo. O que pretendo sempre me desapegar, custe o que custar, é do ressentimento. Como já ensinava Nietzsche, o ressentimento é uma forma de satisfazer-se ilusoriamente no imaginário, diante de uma vingança impossível. Deus me permita vencer o único ressentimento que me resta. Mas eu rogo a Ele todos os dias para que não surjam outros!