"O desenho de nuvens é sempre um encanto diante dos olhos de quem ainda não cresceu demais. Infância resguardada, e que não impede a maturidade. Apenas um detalhe de criancice preservada; coisa que não faz diferença na somatória final que nos confere responsabilidade.Tenho descoberto um menino escondido em meu corpo crescido. Vem quando menos imagino; e vem querendo ficar. O desassossego é próprio dos tempos de transição. Há tantas felicidades do outro lado da ponte, mas antes é preciso a travessia. Mas eu não tenho direito de esperar por felicidade alguma. Travessia também é lugar de felicidade. Aprendi a duras penas. Pena que por vezes me esqueço.Eu não quero esquecer tantas coisas, mas eis que vem o menino e rabisca minha agenda e me convida para uma vagabundagem inocente. A chuva caindo lá fora, e ele gritando aqui dentro de mim, pedindo pra eu retirar os sapatos, correr na chuva e colocar na enxurrada, barquinhos de papel.Esse menino não tem jeito, mas é ele que dá jeito em mim. Quando a vida fica dura demais para ser enfrentada, ele me presenteia com um jeito engraçado de ver os fatos. Aí eu rio e durmo sem os medos que me acordaram no meio da noite.A vida é assim. Quando o adulto não suporta o peso há sempre um menino escondido, pronto para nos ajudar a continuar.Eu continuo, mas continuo porque há um menino me conduzindo, não me deixando desistir. Ele me conduz pela mão... "
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
Quinta-Feira...
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Auto-Ajuda!

Adoro uma frase do Ariano Suassuna em que ele fala que o mundo deve ser francamente dividido em dois grandes contingentes humanos: o primeiro, simplesmente formado pelas pessoas que gostam de nós e concordam conosco. O resto do mundo será constituído necessariamente por um punhado de equivocados!!! =)
Confesso que esse blog não foi feito propositalmente. Um dia, por acaso (se é que existem acasos), na decisão de fazer com que meus papéis não voassem, uso a tecnologia a meu favor, e acabo escrevendo aqui, abrindo o cadeado dos meus pensamentos para sabe se lá quem, ler. Ou até mesmo ninguém. Despretensiosamente, é claro, como tudo o que eu faço. Mas parece que mesmo sem intenção, a gente acaba atraindo "mau olhado" e gente que "mete o pau" em alguma coisa, seja ela boa ou ruim, que alguém diz gostar. É o chamado espírito de porco: aquele povo que começa uma conversa com "Vc não sabe da última...",no meio dispara um "Vc gosta´daquilo´?", ou então arremata com um "Pois é, minha filha, foi assim"...
Quem não se depara o tempo todo com gente do tipo? Mas, infelizmente, a vida é isto, composta de seres humanos com todo o peso da falibilidade, própria dos "humanos".
Uma amiga minha disse que fulana tinha achado este blog "auto-ajuda". Confesso que, ao invés de me incomodar, eu gostei, sabia? Em meio a tantos blogs, orkuts, personagens da internet "auto-promocionais" nada melhor que algumas palavras que possam fazer bem a alguém. Ou quem sabe, fazer com que a pessoa se identifique e haja uma cumplicidade 'virtual' entre os sentimentos tão comuns à maioria das pessoas. Achei muito bom esse negócio de auto ajuda. É prático. Clarice Lispector é minha auto ajuda preferida. Ela me entende, parece que somos confidentes. Eu sinto algo, a danada vai, e o descreve perfeitamente. E quando leio...ah, enfim, alguém que me compreende! E quase sempre ela não me dá a solução, apenas me ajuda a me sentir melhor. Os poemas da Adélia Prado também me auto ajudam. Eu pego o livrinho "Oráculos de Maio" e declamo com ela "Ai, meu Deus, meu Pai, me cura de ser grande!". A Cecília Meireles também é outra amiga que escreve sobre meus dramas de uma forma ímpar. Vai ali, quietinha, e só de ler "A vida só é possível reinventada", penso que é preciso seguir em frente, dando novos passos...Ah,Meireles,obrigada.Vou seguir seu conselho!
Também tenho amigos que me auto ajudam. É só saber que eles estão ali, que, por mim mesma, já me sinto melhor. E as músicas então? Hoje escutei, depois de um bom tempo, os Titãs ensinando..."Quando não houver esperança,quando não restar nem ilusão, Ainda há de haver esperança, em cada um de nós, algo de uma criança"...e claro que, ouvindo, me auto ajudei (retundante,né? mas é assim mesmo) .
Bem, agradeço de coração o adjetivo. Pelo menos, aqui, eu sou o que me permito ser. Com todas as minhas limitações, sendo, entretanto, sempre inteira, como já me alertava o Fernando Pessoa (´sê inteiro em tudo o que fazes') .Não copio nada de ninguém, não me meto a pseudo-intelectual, não posto coisas que eu não sei discutir sobre. Pra quê? Para cavar elogios ou respeito? Quem sabe instigar alguém a se interessar por mim? Não, não. Preciso não.O nome do blog já confirma meu propósito. Afinal, como diria um grandioso "auto-ajuda", Renato Russo: "O que eu mais queria era provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém..."
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
"Brabuletas"

Acredito que Deus nos tem como uma larva. Ele sabe exatamente no que iremos nos transformar, para onde devemos ir, para seguir nossa missão no mundo.Mas para transformar-se em uma linda borboleta, cheia de cores, a larva precisa se desenvolver aos poucos. Como isso leva tempo, Deus traz uma larvinha para junto da gente(não esqueçam que ainda somos larvas), para ajudar a nos desenvolvermos juntas. As larvinhas vão dividindo as aflições, as dores e as alegrias juntas uma da outra, sendo cúmplices, e começam a gostarem tanto de estar perto, que descobrem aquele sentimento que batizamos de amor. Só que Deus percebe que elas não foram criadas para deslizarem juntas, e sim para voarem! Então Ele começa a metamorfose. Uma asinha aqui...um olhinho ali...as larvinhas não percebem, mas as mudanças exigem mais espaço...mais espaço...até que a mudança acontece....e enfim, elas viram borboletas, lindas, grandes, cheias de nuances que as distiguem uma da outra e das demais.. elas são únicas. Não há ninguém igual. Cada uma carrega sua história, suas marcas, sua própria mudança. Só que agora, não há como continuarem juntas. Cresceram demais. Precisam seguir seu próprio caminho...mas como? Deus esqueceu que aquele sentimento que ambas nutriam uma pela outra tinha adquirido um significado, uma importância tal que elas agora nem sabiam se queriam seguir o seu rumo...Mas Deus sabe que elas vieram com um propósito, e precisam seguir adiante. Mas, sensível a dor daqueles seres enamorados, resolve dar um consolo, e lhes coloca na mente lembranças que jamais serão apagadas.E cada vez que lembrarmos,haveremos de sorrir e lembrar de um tempo feliz...de deslizes, de aconchegos...que nos fizeram ser o que somos hoje: seres mais bonitos, mais livres e mais conscientes do sentido da vida. As larvinhas que Deus manda na metamorfose são essenciais para nos fazer descobrir nosso valor, o que podemos e devemos ser. A esse alento que Deus nos coloca no coração, chamamos de "saudade". Ela é irmã do amor, mas dele se difere porque não precisa mais do contato físico para lembrar. Ela aparece como uma certeza de que jamais morreremos.Porque estamos gravados na mente e no coração de alguém. Nem que seja da larvinha que hoje é borboleta e voou....voou.....
Assinar:
Postagens (Atom)